Novas fábricas vão acirrar disputa
São Paulo, 22 (AE) - O País abriga hoje dez montadoras a mais do que em 1997, quando bateu o recorde com 2 milhões de veículos produzidos. A disputa para garantir espaço num mercado cada vez mais competitivo ficará ainda mais acirrada a partir de julho, quando a General Motors vai inaugurar a fábrica em Gravataí (RS), que promete produzir o carro mais barato do País. O modelo menor que o Corsa, por enquanto chamado de Blue Macaw ou Arara Azul, deverá custar cerca de R$ 12 mil.
No fim do ano, entrará em operação a unidade conjunta da Peugeot/Citro$n, em Porto Real (RJ), que também terá um modelo popular, o 206. "Também teremos preço bastante competitivo", diz o diretor-superintendente da Peugeot do Brasil, Cees Hermanns. Em 2001 será a vez da Ford inaugurar unidade na Bahia para produzir a família de veículos do projeto Amazon. No mesmo ano, a Volkswagen iniciará a produção do PQ-24, que substituirá parte da linha Gol.
As novas fábricas são mais enxutas e mais eficientes do que as antigas, mas precisarão de tempo para ganhar escala de produção, lembra o sócio responsável pela operação América do Sul da consultoria Roland Berger, Win van Acker. Além disso, a maioria dos novos modelos utiliza muitas peças importadas e, com a taxa de câmbio atual, trazer componentes de fora encarece os produtos.
Uma fábrica nova não é garantia de sucesso, principalmente se o modelo escolhido não deslanchar, como vem ocorrendo com o Classe A, da Mercedes-Benz, pequeno demais para os padrões da marca, e caro demais para os padrões do consumidor brasileiro. No varejo, as vendas do modelo em janeiro atingiram 1.020 unidades, caindo para 759 em fevereiro e alcançando 931 em março.
Varejo - As principais montadoras brasileiras aumentaram as vendas no varejo no primeiro trimestre, na comparação com igual período de 1999. A Volks teve crescimento de 9,2%, a Fiat e a GM de 7% e a Ford de 18,5%.
Peugeot e Citro$n, que se preparam para entrar na lista das fabricantes nacionais, cresceram 41,5% nos três primeiros meses do ano com vendas de modelos importados principalmente da França e da Argentina. Hermanns acredita que o 206 repetirá no Brasil o sucesso obtido na Europa, onde foi lançado em setembro de 1998 e, desde então, a produção diária passou de 2 mil para 3 2 mil unidades, um crescimento de 60%.
Entre as montadoras que não atuavam no Brasil, só a Peugeot está entrando no mercado dos modelos com motor 1.0, chamados populares, e que respondem por 68% das vendas. Hermanns diz que a produção da fábrica carioca será de 46 mil unidades em 2001 e 100 mil a partir de 2003, parte do 206 e parte do Picasso
o modelo médio da sua coligada.





