Maputo, 27 (AE-AP) -- Os transportes aéreos de emergência com suprimentos para milhares de desabrigados pelas enchentes em Moçambique tiveram de ser suspensos hoje (27), depois que novas inundações forçaram as tripulações de helicópteros a iniciar missões de procura e resgate.
Helicópteros militares da vizinha áfrica do Sul haviam sido foram solicitados para o serviço de resgate e representam a única esperança para milhares de pessoas cercadas pelas águas, que não param de subir no distrito de Chokwe ao norte da capital
Maputo.
Os cinco helicópteros estão sobrevoando o país diariamente há três semanas a fim de ajudar Moçambique a superar a maior enchente em 30 anos.
A porta-voz do Programa de Alimentação das Nações Unidas, Michele Quintaglie, disse que a ajuda começou a ser chamada de madrugada
quando o rio Limpopo começou a aumentar seu nível mais rápido do que o esperado.
"A situação é crítica, as pessoas estão desesperadas por ajuda", disse a porta-voz. "Não podemos nos preocupar com o alimento porque os helicópteros estarão se dedicando a operações de busca e de regaste."
Três semanas de chuvas inundaram o sul da áfrica e maiores tragédias humanas ainda estão por vir.
As equipes de ajuda, impedidas de avançar pelas estradas obstruídas e pelas pontes varridas pela chuva, não conseguem lidar com as proporções do desastre. O Governo estima um número de 17 mil pessoas em perigo no vale do rio Save.
"Precisamos de helicópteros no momento.", disse Carol Collins, do grupo britânico de caridade Save the Children. "A água está se movendo muito rapidamente e tenho certeza de que alguns foram levados pela corrente", ressaltou. "Essas pessoas estão vivendo um pesadelo."
Choveu mais ontem, quando outra tempestade tropical formada sobre o Oceano Índico começou a deslocar-se em direção a Moçambique.
O Governo de Moçambique estimou que mais de 200 mil pessoas ficaram desabrigadas e que pelo menos 70 morreram nas últimas três semanas.
Números similares foram computados nos países vizinhos Zimbábue e áfrica do Sul.
Em Zimbábue, com o fluxo de águas da sexta-feira à noite
um ônibus com número de desconhecido de passageiros derrapou de uma ponte caindo em um rio caudaloso. Nenhum sobrevivente foi encontrado ainda.
Uma família com sete pessoas morreu afogada quando sua cabana foi varrida pelas águas no sul de Zimbábue e seis turistas estavam desaparecidos depois de tentar alcançar a beira de um rio depois que seu ônibus ficou preso em uma ponte inundada. Suas identidades ou nacionalidades não foram informadas até o momento.
Algumas áreas da província ao norte da áfrica do Sul, ficaram
completamente destruídas. De acordo com uma autoridade, uma grande
quantidade de água estava a caminho do já inundado rio Limpopo, que divide a áfrica do Sul e Zimbábue e depois derrama suas águas no sul de Moçambique.
A Organização Mundial da Saúde foi informada de que 800 mil pessoas na região correm o risco de contrair cólera e malária por causa das águas paradas.
O governo e as agências das Nações Unidas disseram que o apelo internacional por 65 milhões de dólares em ajuda foi fortemente respondido.

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