Novas drogas contra o câncer atacam só o tumor
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sábado, 28 de janeiro de 2006
Ricardo Westin<br>Agência Estado 
São Paulo- Ao longo dos próximos dois anos, a indústria farmacêutica vai lançar no mercado brasileiro pelo menos 15 drogas contra o câncer. Em comum, elas têm a capacidade de atingir exclusivamente as células do tumor, o que preserva as demais, sadias. O tratamento é chamado pelos médicos de ''terapia-alvo'', a mais recente e promissora estratégia na luta contra o câncer.
Até três anos atrás, as pessoas que descobriam um tumor só tinham três opções: a quimioterapia, a radioterapia - tratamentos que não conseguem acabar com o câncer, mas controlam o crescimento do tumor e aumentam o tempo de vida do paciente - e a cirurgia - a retirada do tumor em estágios iniciais.
Mas o tratamento tradicional com remédios tem efeitos colaterais extremamente desagradáveis. As drogas da quimioterapia, normalmente injetadas no sangue, atacam indiscriminadamente todas as células do organismo capazes de se dividir, o que inclui as células do sangue, do cabelo e da mucosa da boca e do intestino. Como resultado, o doente pode ter menos resistência a infecções, queda de cabelo, boca seca, vômitos, diarréia, cansaço constante e infertilidade. Os sintomas passam assim que o tratamento é suspenso.
A esperança para os pacientes que sofriam com esses incômodos chegou com os avanços da biologia molecular. Os cientistas começaram a entender de que maneira as células cancerosas adquirem a incrível capacidade de não morrer, se multiplicar rápida e desordenadamente e atrair para si vasos sanguíneos - que têm dupla função: alimentar o tumor com os nutrientes do sangue e levar as células cancerosas para outras partes do corpo, provocando a metástase.
A partir daí, puderam desenvolver drogas que agem como mísseis inteligentes. É um novo tipo de quimioterapia, um quarto tipo de tratamento. Em vez de atacar todas as células que se dividem, os medicamentos agem só nas do tumor -provocando sua morte, detendo sua multiplicação ou impedindo a atração dos vasos sanguíneos.
''No século 21, a grande revolução no tratamento do câncer é a descoberta dos alvos moleculares'', afirma o médico Sérgio Daniel Simon, coordenador do Departamento de Oncologia do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Para dar a dimensão da mudança, ele compara a antiga e a nova quimioterapia com os bombardeios das guerras.
''Na 2 Guerra Mundial, não era possível separar alvos civis de alvos militares. Londres foi devastada. Já na invasão do Iraque, foi possível destruir o palácio de Saddam Hussein em Bagdá sem afetar nenhum alvo civil ao redor.''
A lista das drogas que estão prestes a chegar ao mercado brasileiro é extensa. Para o câncer de pulmão, são aguardados o Tarceva e o Iressa. Contra o câncer de cólon, o Avastin e o Erbitux. Para o rim, o Nexavar e o Sutent. Para a leucemia, o Mylotarg e o Campath. A maioria deles tem indicação para mais de um tipo de câncer.


