Medicamentos que proporcionam um aumento de até 70% da taxa de cura dos pacientes com Hepatite C. Essa é uma das novidades que os cerca de 170 milhões de portadores crônicos da doença no mundo poderão ouvir nos próximos dias. Além do alto número de infectados no planeta, especialistas afirmam que o vírus da Hepatite C é mais comum que o HIV, responsável pela AIDS. Por esse motivo, o uso de novas drogas para esse tipo de tratamento é um dos principais temas que serão debatidos no Congresso Hepatologia do Milênio, a partir de hoje, em Salvador (BA).
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) dizem que é possível que surjam todos os anos três a quatro milhões de novos casos no planeta. O médico Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que a Hepatite C é uma das patologias mais frequentes e com potencial mais importante de desenvolvimento no fígado caso não seja tratada a tempo. Segundo ele, o tratamento que existe atualmente é feito em 48 semanas e condiciona ao paciente 50% de chance de cura, diferente das que estão chegando, que elevam as chances em até 70%. ''São duas medicações novas, o Boceprevir e o Telaprevir, que serão associados ao tratamento atual'', diz.
Segundo Paraná, as estatísticas no Brasil em relação à dados sobre a doença ainda são falhas, mas estimam-se em dois milhões de brasileiros com Hepatite C. ''As Hepatites virais B, C e D são endêmicas no país. A estato-hepatite, doença hepática causada pela obesidade e pelo aumento do colesterol, é muito frequente também. A doença alcoólica, cada vez mais. Entre as mulheres, temos as Hepatites autoimunes'', diz.
Ainda segundo o médico, o consumo exagerado de álcool ainda é um fator importante para doenças desenvolvidas no fígado. Ele acredita que com o aumento do consumo de bebidas alcóolicas no Brasil, principalmente entre mulheres e adolescentes, faz com que as pessoas não se atentem que o álcool é um dos graves problemas de saúde pública no país. ''Aceita-se o álcool socialmente pois não há percepção de que se trata de um tóxico, dos mais perigosos. Não podemos deixar de falar nas hepatites medicamentosas por medicamentos alopátidcos, fitoterápicos, medicamentos chamados naturais e chás caseiros'', enfatiza.
O presidente da Associação esclarece ainda que a Hepatite C é uma doença silenciosa e que a maioria dos casos diagnosticados hoje são resultados de contaminações acontecidas nas décadas de 1970, 1980 e 1990. ''As principais fontes de contaminação foram transfusão de sangue antes de 1994, tatuagem realizada por profissionais não-capacitados e em locais sem alvará da vigilância sanitária, tratamento dentário por profissionais não diplomados e uso de seringas de vidro para injeções venosas. Também há casos de atletas que usavam medicamentos vitamínicos como: glucanergan, energiusan, Tiaminose, Glicose, etc''.

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