Novas combinações de drogas contra aids chegarão ao mercado em 2000
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 20 (AE) - Novas combinações de drogas para o tratamento da aids estarão disponíveis a partir do ano que vem. Os testes vêm sendo realizados em diversos centros de referência e os coquetéis deverão ser submetidos ainda este ano à aprovação do Food and Drug Administration (FDA) - órgão do governo americano que controla os remédios e os medicamentos. O anúncio foi feito hoje por especialistas americanos que participam da III Conferência Brasil John Hopkins em HIV/Aids, no Hotel Intercontinental, em São Conrado, na zona sul.
Para os especialistas, um dos maiores problemas da aids hoje é a resistência desenvolvida pelos pacientes aos medicamentos. "Já notamos resistência até mesmo aos inibidores de protease, que são os mais potentes", explicou o professor da divisão de Doenças Infecciosas da Universidade John Hopkins, Joel Gallant. "Para driblar esse problema, estão sendo testadas novas 15 combinações, nas quais constarão também duas novas drogas já aprovadas, o amprenavir e o abacavir." Outro grande problema, na avaliação dos especialistas, é o fato de os pacientes não aderirem aos tratamentos prescritos. Segundo o presidente da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, John Barlett, a não adesão aos tratamentos propicia a mutação do vírus e, consequentemente, a resistência ao medicamento, o que torna as chances de controlar a doença menores. "Só quando o paciente consegue suprimir totalmente a multiplicação do HIV é que se consegue evitar a mutação", explicou Barlett. "Por isso, o medicamento é tão importante: se você deixa de tomá-lo, abre uma brecha para que o vírus se multiplique e sofra uma mutação, tornando-se resistente àquela droga."
Na avaliação de Barlett, ainda há um longo caminho a percorrer para que se descubra uma vacina contra a aids. As vacinas, de maneira geral, são calcadas no princípio da imunidade. Ou seja: se você já foi exposto a um determinado vírus, passa a ser imune a ele. "Isso, no entanto, não acontece no caso do HIV", lembrou Barlett. "Por outro lado, o vírus sofre muitas mutações, o que dificulta ainda mais."


