Londrina - A expansão do sistema de monitoramento por câmeras da Guarda Municipal, que deve ser concluído ainda no mandato-tampão do prefeito Joaquim Ribeiro (PSC), vai priorizar as áreas públicas degradadas pelo tráfico e consumo de drogas, afirmou ontem o secretário de Defesa Social, Raul Leão Vidal. Cerca de 90 novos pontos serão filmados 24 horas por dia com a instalação das câmeras já adquiridas pelo governo municipal, o que inclui esquinas movimentadas, praças e rotatórias.
''Vamos nos reunir com o comando da Polícia Militar para definir em conjunto onde estes equipamentos serão mais úteis à segurança pública'', diz Vidal, major reformado da PM e ex-diretor do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) ''Mas a prioridade é combater o tráfico de drogas, que é um delito gerador de ocorrências como furtos, roubos e homicídios'', afirma. De acordo com o secretário, o critério usado para a instalação das novas câmera será as estatísticas de ocorrência.
O monitoramento de áreas públicas por câmeras começou em 2008, quando o governo do ex-prefeito Nedson Micheletti (PT) adquiriu e instalou 32 unidades que transmitiam as imagens para uma central instalada no 5º Batalhão da Polícia Militar.
Em julho deste ano, o monitoramento foi reconfigurado, com a instalação de equipamentos mais modernos adquirido no governo do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). O sistema passou a operar com 90 câmeras e ganhou uma nova casa, uma sala no prédio da Caapsml (ao lado da prefeitura) que abriga o Grupo de Comunicação e Monitoramento (GCom).
Além de um grande painel de imagens na parede, formado por 10 monitores de 55 polegadas com tela dividida em pelo menos quatro quadros, o GCom tem cinco estações de controle, com três monitores de 23 polegadas cada, de onde as informações são passadas por telefone para todas as forças de segurança e para os serviços de socorro (Siate e Samu). Em média, cada guarda analisa as imagens de seis pontos.
Por enquanto, em média, são quatro situações de verificação por dia. Por semana, duas delas se tornam ocorrência. Alguns casos de vandalismo já foram flagrados com a ajuda do monitoramento.
O último foi na madrugada de sábado quando dois adolescentes foram apreendidos pichando o Centro Cultural Lupércio Luppi, na Avenida Saul Elkind (zona norte). A chamada Gangue da Marcha à Ré (que usava carros para destruir porta de lojas no Calçadão), os estudantes de direito que picharam bolas de concreto na rua Joaquim de Matos Barreto (próximo ao Lago Igapó 3) também foram ''vítimas'' da eficiência do monitoramento do GCom.
Enquanto a reportagem da Folha esteve acompanhando a rotina do serviço na tarde de ontem, um rapaz que estava fumando maconha à margem do Lago Cabrinha (Zona Norte) foi abordado e revistado por guardas municipais. A abordagem, feita por uma equipe que estava próxima ao local e que recebeu a informação por celular alguns minutos antes, foi possível graças aos recursos das novas câmeras, que permitem zoom sem perda de resolução na imagem. Segundo a inspetora, cada câmera é capaz de mostrar o semblante de alguém há 120 metros de distância. ''O objetivo do monitoramento não é repressivo. A prioridade é a repressão'', afirma o secretário Vidal.

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