Londrina - O Conselho Federal de Medicina regulamentou quatro novas áreas de atuação para médicos. São elas: medicina do sono, paliativa, tropical e da dor. De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Alexandre Gustavo Bley, estas áreas estão diretamente vinculadas a especialidades médicas já existentes.
Ele explicou que para atuar na área de medicina do sono o médico precisa ter especialização em otorrinolaringologia, pneumologia, neurologia ou psiquiatria. Os médicos que optarem por atuar nesta área estarão preparados para atender pessoas com distúrbios do sono como, por exemplo, a apneia.
Para a medicina paliativa, estão aptos profissionais especializados em anestesiologia, cancerologia, clínica médica, geriatria, medicina de família e comunidade ou pediatria. ''Esta área de atuação trabalha diretamente com pacientes crônicos terminais, dando suporte e qualidade de vida - na medida do possível - quando não se consegue mais ter condição de tratamento'', explica. Ele afirmou que esta discussão já foi levantada anteriormente e abrange temas polêmicos como a ortotanásia, que é a morte assistida.
Podem atuar na medicina tropical médicos com especialidade em infectologia. Esta área está ligada às doenças tropicais, como a febre amarela, dengue, malária e outras. ''Este profissional tem uma importância muito grande não só no controle das infecções da comunidade e hospitalares, mas no que diz respeito ao grupo de doenças que fazem parte dos países tropicais. São médicos que vão se dedicar mais ao estudo e tratamento destas doenças'', afirma Bley.
Para a área da dor, poderão ser titulados profissionais com especialização em acupuntura, anestesiologia, medicina física e reabilitação, neurocirurgia, neurologia, ortopedia ou reumatologia. ''Dentro do que se sabe atualmente sobre anestesiologia existem procedimentos e métodos que auxiliam no controle da dor. Poderá atender tanto o tratamento da dor aguda quanto aquele com dor crônica'', esclarece.
Bley disse que para atuar nessas áreas específicas e obter o título registrado no Conselho Federal de Medicina, o médico que já possui a especialização correspondente tem dois caminhos. ''Ou ele entra em um programa de residência médica vinculado e reconhecido pelo governo ou ele presta uma prova dentro da Associação Médica Brasileira na especialidade que já atua para ter o título na área de atuação de interesse. Além da prova existem alguns requisitos que devem ser obrigatoriamente comprovados, isso depende de cada área.''
Apesar da regulamentação destas novas áreas de atuação, Bley explicou que ''a lei que confere ao médico o direito do tratamento dos pacientes não entra na seara das especialidades.'' ''Eu não posso divulgar algo que eu não tenha título para comprovar'', explica. Ele destacou que mesmo que o médico não tenha habilitação pode atuar na área, mas sem divulgar para terceiros. ''A partir do momento que virou uma área de atuação eu posso, dentro do meu consultório, continuar atuando, mas não posso colocar isso na placa que está fora do meu consultório, por exemplo.''
Ele disse que, de forma geral, os médicos acabam se limitando às suas áreas de atuação. ''Na realidade o fato de uma pessoa ter o título quer dizer que ela tem um preparo a mais em determinada área. Isso significa que em teoria essa pessoa estaria mais habilitada a atender do que uma pessoa que não tem o título, mas muitos profissionais já desenvolvem a atividade há algum tempo e conseguem dar uma boa resolução para o paciente mesmo sem a titulação'', destacou. Ele finalizou dizendo que a relação médico-paciente tem que ser baseada na confiança. ''Ter cursos é bacana, mas mais importante é o relacionamento com o paciente. Isso é fundamental'', finaliza.

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