Novaes conta como aconteceu a negociação do socorro ao Marka
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 28 (AE) - O economista Rubens Novaes informou à CPI do Sistema Financeiro que o ex-dono do banco Marka, Salvatori Cacciola, lhe pediu socorro porque estava "desesperado e quebrado". Rubens Novaes contou à CPI a sua versão sobre os fatos ocorridos nos dias 13 e 14 de janeiro passado, data da operação de socorro do Banco Central ao Banco Marka.
Segundo o economista, quando ocorreu a mudança cambial Salvatori Cacciola lhe telefonou dizendo que estava tentando localizar o economista e consultor Luiz Bragança. Cacciola, segundo Rubens Novaes, queria apoio e pediu socorro para que fosse encontrada uma solução para o banco "um sonho que estava se desfazendo ali".
Rubens Novaes contou à CPI que fez um apelo a Luiz Augusto Bragança, conhecido seu desde os tempos da faculdade e do período de estudos de pós-graduação em Chicago, nos Estados Unidos. Novaes pediu a Bragança que fosse conversar com Cacciola "neste momento de desespero". No encontro, como relatou à CPI, Cacciola expôs aos dois que precisava de apoio para conseguir alternativas que evitasse a quebra do banco Marka. Novaes disse ter informado a Cacciola que não contribuiria em termos de discussão interna no Banco Central, mas, mesmo assim, viajou com ele e Luiz Bragança para Brasilia, em um avião fretado.
Luiz Augusto Bragança, segundo Novaes, relutou em acompanhá-los na viagem. "Tocados pela situação desesperadora, viemos com ele no avião", afirmou Novaes. Chegando em Brasília, Rubens Novas ficou entre uma e duas horas no hangar da Líder e não se dirigiu ao Banco Central. Depois deste período, ainda segundo seu relato, se dirigiu ao aeroporto internacional de Brasília e embarcou de volta ao Rio de Janeiro em um vôo comercial. Segundo Novaes, Luiz Bragança permaneceu em Brasília, atendendo ao apelo de Cacciola, que estava tendo dificuldades em levar o problema do Banco Marka à alta direção do Banco Central.
"Não tive qualquer interferência no Banco Central na solução do problema", garantiu Novaes, que também informou aos integrantes da CPI que "nada foi cobrado pela assessoria. "Não cobrei nada. Foi um apelo desesperado de um amigo, a quem não poderia faltar", disse. Novaes admitiu um relacionamento informal com Cacciola. Segundo ele, o contrato formal com o Banco Marka tinha terminado em 1990.


