Nova York, 29 (AE) - Um visitante que vem para Nova York em meados de outubro percebe que o Halloween está próximo observando as vitrines das lojas de Manhattan onde bruxas, fantasmas e abóboras se misturam com as mercadorias expostas. Deixando Manhattan em direção ao Brooklyn o cenário é outro. Aqui, não apenas as vitrines das lojas estão decoradas como também as portas e jardins da maioria das casas.
No Brooklyn, como em todas as cidades dos Estados Unidos, os moradores conservam o hábito de todos os anos, nas vésperas do dia 31 de outubro, colocar para fora de casa seus fantasmas e abóboras. Enfeitando as portas das suas casas, os moradores se preparam para a noite do Halloween, quando as crianças saem fantasiadas batendo de porta em porta em busca de doces.
A decoração é variada. É possível ver desde inofensíveis abóboras até caveiras e monstros. Mas são mesmo as abóboras as grandes estrelas dessa festa. Sejam de plástico ou naturais, assustadoras ou sorridentes, elas estão por toda a parte.
Além das abóboras, também os espantalhos, caveiras, monstros, seres extraterrestres e uma legião de fantasmas concorrem para criar o clima do Halloween na entrada das casas. Entretanto, não devemos confundir fantasmas e monstros pois cada um desses símbolos tem seu significado próprio e muitos deles não fazem parte da origem do Halloween, tendo sido incorporados com o passar do tempo.
A celebração do Halloween remota ao século V a.C., tempo dos Celtas, e foi trazida para os Estados Unidos pelos imigrantes irlandeses na metade do século passado. Originalmente, a festa chamava-se "Samhaim" e significava o Ano Novo Celta, além de marcar também a época da última colheita antes do início do inverno.
Os rituais praticados no Samhaim estavam baseados no fato de que este era um dia localizado "entre os anos". Isto porque o último dia do ano era um dia antes do Samhaim ao passo que o primeiro dia do novo ano era apenas o dia seguinte ao Samhaim. Sendo assim, esse era um tempo mágico, comemorado durante três dias, quando as barreiras entre o mundo dos mortos e dos vivos caiam por terra, permitindo aos espíritos circularem entre os vivos. Nessa época sem fronteiras as pessoas se viam livres para fazer coisas não usuais como se vestir com roupas diferentes e percorrer a vizinhança a procura de comida, costume que permanece até hoje. Com o advento do Cristianismo, esse ritual foi dividido em três datas distintas: Halloween (dia 31 de outubro), Dia de Todos os Santos (1 de novembro) e Dia de Todas as Almas (dia 2 de novembro).
Conhecendo um pouco da origem do Halloween fica fácil entender o significado das imagens expostas na porta de cada casa do Brooklyn. Os espantalhos simbolizam a época da última colheita antes do inverno.
As abóboras cavadas em forma de um rosto, muito utilizadas como lanternas, têm um sentido completamente distinto, cuja origem está no folclore irlandês. Conta a lenda que um homem chamado Jack, conhecido como bêbado e trapaceiro, havia trapaceado o Diabo e por isso, foi impedido de entrar no inferno. Como também não havia sido aceito no céu, Jack construiu uma lanterna para se guiar na escuridão. A lanterna de Jack, feita a partir de abóboras, simboliza a luz nas trevas, o símbolo mais forte do Halloween.
As imagens de fantasmas e caveiras, também muito comuns nessa época, estão relacionadas ao momento em que as fronteiras entre o mundo dos vivos e dos mortos desaparecem.
As bruxas, por sua vez, não fazem parte da tradição primeira do Halloween tendo sido incorporadas depois da Idade Média. A partir daí, elas passaram a ser vistas como seres maléficos. Antes disso, porém, elas eram tidas como curandeiras ou videntes.
As imagens de bruxas, assim como de monstros, vampiros e demônios foram pouco a pouco se juntando aos fantasmas e abóboras, ainda que o Halloween, originalmente, não estivesse associado às forças do mal. No entanto, são ainda as abóboras, espantalhos e fantasmas as imagens mais frequentes na decoração das casas do Brooklyn.

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