Belo Horizonte, 02 (AE) - Integrantes da CPI do Narcotráfico em Minas Gerias tomaram no fim de semana, na delegacia de Polícia de Francisco Sá, extremo norte do Estado, o depoimento de um ladrão de carros que poderá complicar mais a situação do empresário Paulo César Santiago, irmão do deputado mineiro Arlen Santiago (PTB). Segundo o relator da CPI estadual, Rogério Corrêa (PT), o homem, identificado apenas como Fábio e detido quinta-feira, em um município vizinho, quando dirigia uma Parati roubada, contou que puxava carros para um suposto funcionário de Paulo César.
"Ele disse que os carros roubados tinham os documentos ´esquentados em Monte Azul, no norte do Estado", afirmou Corrêa. "Depois, seriam entregues a um tal João Pereira, em Montes Claros, que trabalharia para um empresário da cidade, irmão de um deputado, que poderia ser o Paulo César", afirmou Corrêa.
O ladrão explicou que João Pereira - nome falso, segundo Corrêa - era encarregado de esconder cocaína nos carros e, depois, enviá-los a São Paulo. "Precisamos de cautela com a história, mesmo porque Fábio admitiu que jamais viu o empresário Paulo César, mas vamos aprofundar as investigações", ressaltou o parlamentar.
Corrêa esteve em Francisco Sá ontem (01) à tarde com o presidente da CPI mineira, Marcelo Gonçalves (PDT). Os dois retornaram a Belo Horizonte com um relatório com novas informações. A CPI retoma as atividades amanhã (03), na Assembléia Legislativa."Vamos começar a ouvir uma série de pessoas que podem elucidar o caso e nos fornecer detalhes de fatos que já conhecemos", disse o deputado. Na relação de testemunhas estão três policiais civis aposentados, que atuaram em Montes Claros na década de 80, entre eles o ex-delegado de Tóxicos Otácilo de Lima.
O delegado, que mora em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, foi o responsável por um inquérito criminal contra Paulo César Santiago e outro irmão, Pedro, em 1987. Os dois foram indiciados, juntamente com outras pessoas, por tráfico de drogas.O inquérito, originado por denúncias de um usuário de cocaína, foi encaminhado ao Ministério Público, mas foi arquivado por "falta de provas materiais".
Lima apurou que uma casa noturna então pertencente a Paulo César seria ponto de venda de drogas. O mais estranho, de acordo com o parlamentar, é que os policiais que trabalharam no caso foram afastados logo depois do encerramento do inquérito. "Suspeitamos que Paulo César teve influência, na época, na nomeação de um novo delegado regional para a cidade, que, por sua vez, determinou a transferência dos policiais que o investigavam", disse Corrêa.

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