Rio de Janeiro - Uma tentativa frustrada de fuga no final da noite de anteontem resultou em uma rebelião que durou 12 horas na Casa de Custódia Jorge Santana, no complexo penitenciário de Bangu (zona oeste do Rio).
O motim só foi encerrado por volta das 11h de ontem, quando os presos libertaram dois policiais militares que foram feitos reféns e entregaram uma pistola e duas armas de brinquedo. Não houve feridos.
À tarde, PMs do 14º Batalhão apreenderam uma pistola e duas granadas na Casa de Custódia Bangu 5. As armas estavam dentro do tubo de imagem de uma televisão, que acabara de ser trazida por um visitante de um preso.
Desde o início do governo de Benedita da Silva (PT), em abril, foi a sétima rebelião em Bangu e a terceira em menos de dois meses.
Segundo a PM (Polícia Militar), por volta das 23h os cerca de 500 presos tentaram uma fuga em massa, pulando o muro interno da unidade. A seguir, eles renderam dois PMs com as armas de brinquedo, roubaram a pistola de um deles e tentaram fugir pelos portões.
Os policiais militares encarregados da segurança externa da casa de custódia impediram a fuga. Os presos voltaram para a unidade e iniciaram a rebelião, mantendo os PMs reféns.
Segundo o coordenador das casas de custódia, major Dayser Corpas, quatro presos ligados a facção criminosa CV (Comando Vermelho) lideraram o motim.
A casa de custódia foi cercada por PMs do Bope (Batalhão de Operações Especiais), do Getam (Grupamento Especial Tático-Móvel) e do Batalhão de Choque. Negociadores do Bope entraram na unidade por volta da meia-noite. As negociações foram suspensas às 2h e retomadas às 8h.
De manhã, os presos foram para o teto da prisão e exibiram uma bandeira vermelha com as iniciais CV. Para libertar os reféns e se entregar, eles exigiram melhoria na alimentação, atendimento médico mais adequado e a transferência de condenados. Os presos reclamaram de maus-tratos às visitas. Disseram que, anteontem, PMs viram mulheres de presos serem revistadas nuas.
O comandante-geral da PM, coronel Francisco Braz, negou as acusações e disse que não atenderá as exigências dos presos que, disse, são sempre as mesmas.
Braz disse que abrirá uma sindicância para investigar porque um dos PMs estava armado no interior da unidade. Segundo ele, os policiais só podem portar armas no lado externo das casas de custódia.
Só este ano, já foram registradas duas fugas e duas rebeliões na Jorge Santana. A última delas ocorreu no dia 31 de julho, quando 60 presos fugiram pela porta da frente da unidade.

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