Nova tecnologia recupera cartilagem
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domingo, 30 de agosto de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Duas novas tecnologias na área de ortopedia estão revolucionando o tratamento de lesões em articulações. Trata-se do uso de fatores de crescimento, espécie de proteína retirada do sangue, e de células-tronco - ambos do próprio paciente. As duas técnicas já estão disponíveis em Londrina.
Segundo o ortopedista Jonas José Blanco, a dificuldade no tratamento de lesões em articulações sempre foi a recuperação da cartilagem, um tecido complexo, não nutrido por sangue, pelo sistema linfático ou por nervos, e que não se repara quando lesado. A cartilagem é fundamental para a absorção do impacto, no deslizamento das superfícies da articulação de maneira eficiente, e na distribuição de um líquido que nutre as células da região. ''Tudo isso forma um grande sistema de absorção de impacto'', ressalta.
A medicina, aponta Blanco, apesar da evolução dos tratamentos na área de lesões em articulações, não tinha muito o que oferecer quando a lesão era na cartilagem, até o aparecimento dessa nova tecnologia. ''O que se podia fazer era muito pouco. A pessoa ficava esperando até chegar ao ponto de colocar uma prótese'', afirma.
Com esse tratamento, as células-tronco, também chamadas de mesenquimais, retiradas da medula do próprio paciente, podem se transformar em osso, cartilagem, músculo ou outros tecidos, de acordo com o ambiente em que estão. Já, os fatores de crescimento, retirados do sangue, promovem redução do processo inflamatório e aceleram a reparação dos tecidos. Os dois tratamentos, que podem ser usados em conjunto ou separados, são adotados com sucesso como auxiliares no tratamento de tecidos de reparação difícil, como é o caso das cartilagens. ''É uma nova perspectiva que surge para o tratamento das lesões da cartilagem e da artrose inicial das articulações'', afirma.
Os fatores de crescimento são retirados do sangue e as células-tronco da medula óssea. O material coletado passa por um processo de preparação em laboratório e é recolocado no paciente, no local da lesão a ser tratada, estimulando a regeneração de tecidos e de cartilagens. Este procedimento pode ser feito na clínica ou em hospitais, se o caso exigir uma pequena intervenção cirúrgica. Como é feito com anestésicos, o processo não é doloroso.
O tratamento de uma lesão no menisco, então, continua com a parte tradicional da cirurgia, mas pode ganhar uma nova etapa que é a injeção de fatores de crescimento e de células-tronco. ''Quando há uma lesão, o organismo convoca células jovens para reparar a área, e esse tratamento nada mais é que um estímulo, uma forma de facilitar para que isso aconteça'', ressalta.
Um dos destaques do tratamento é a rápida recuperação. ''Trabalhos científicos avaliados pela Sociedade Internacional de Pesquisas da Cartilagem apontam para a recuperação em no máximo quatro meses'', informa Blanco. Há ainda mais uma vantagem da inovação: não há contra-indicação porque são usadas células do próprio paciente. ''O que se exige são cuidados e a escolha do procedimento mais adequado para cada caso'', afirma.


