O dia 8 de junho de 2007 entrou para a história da medicina reprodutiva. Ontem, às 11h43, nasceu em Maringá o primeiro bebê gerado a partir da técnica de vitrificação de óvulo, descoberta pela equipe do médico e pesquisador Carlos Gilberto Almodin. A técnica é pesquisada há oito anos, teve o protocolo lançado em outubro do ano passado, e deu o primeiro fruto com o nascimento de Sol, uma garotinha tranquila que pesou 2 quilos e 840 gramas. Os pais, Fathia Abderlrahman Mohamed e Mohamed Hamdan vieram do Sudão há 12 anos, e há 18 tentavam ter o primeiro filho.
''Veio a Sol, agora já estamos pensando em ter a Lua'', comemorou o pai, um religioso muçulmano que não está se contendo de tanta alegria. Enquanto a esposa se recuperava do parto, na tarde de ontem, ele contou que logo quer ''encomendar'' o segundo filho. ''Daqui a um ano, ou quem sabe menos'', revelou. O médico responsável pelo milagre, por sua vez, garantiu que a vinda do irmão ou irmã de Sol está garantida. ''Temos mais sementinhas guardadas'', brincou, referindo-se a outros óvulos retirados de Fathia que estão sendo mantidos em um tambor de nitrogênio, a menos 196 graus centígrados.
''A crio-preservação de óvulos vinha sendo pesquisada há pelo menos 10 anos por vários cientistas em todo mundo, porém, ao contrário do congelamento de embriões e espermatózóides, os resultados sempre foram muito ruins e nunca foi adotada como rotina'', explica Almodin. Para tornar possível a vitrificação, a equipe do pesquisador paranaense desenvolveu e patenteou uma haste de polipropileno - batizada de Vitri-Ingá - que tem um furo minúsculo em uma das extremidades. Neste orifício é colocado o óvulo, que fica suspenso no ar através da vitrificação ou espelhamento, conseguida com o uso de duas soluções. Uma vez vitrificado, o óvulo é colocado no nitrogênio para posterior fecundação.
Segundo o pesquisador, o objetivo é diminuir substancialmente ou até acabar com o congelamento de embrião, já que a nova técnica é significativamente mais barata e simples. ''Não é preciso nem o uso de computador. São gastos cerca de três minutos por óvulo, enquanto o congelamento de embrião leva de três a quatro horas.'' Atualmente 12 clínicas brasileiras já adotam a técnica.
O casal Fathia e Mohamed procurou a clínica de Almodin em março do ano passado. O tratamento foi iniciado no dia 7 de agosto e na primeira tentativa a fecundação aconteceu. ''Não tenho palavras para definir o que estou sentindo'', resumiu a mãe, fitando maravilhada a pequena filha.

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