A apresentação de uma técnica de mastectomia que retira todo o tecido mamário canceroso por uma incisão ao redor da auréola (círculo pigmentado em torno do mamilo), apresentada ontem no 17º Congresso Mundial de Oncologia, causou polêmica.
Com essa técnica, o cirurgião abre uma ‘‘tampinha’’ cortando ao redor da auréola e puxando o tecido mamário por essa incisão. O mamilo é inutilizado, mas a pele do seio é preservada. O espaço vazio é preenchido com músculos e gordura retirados da barriga ou das costas. Com esse mesmo tecido, é feito um novo mamilo. A seguir, o cirurgião desenha uma tatuagem imitando a cor do bico do seio.
Luis Vasconez, da Universidade do Alabama (EUA), é especialista nessa técnica e já operou 250 mulheres nos últimos oito anos. A principal vantagem, segundo ele, é estética. O novo mamilo, porém, não tem sensibilidade. Especialistas ouvidos avaliaram que essa técnica, com a retirada do tecido mamário apenas pela ‘‘tampinha’’ da auréola, tem alto risco de recidivas (reaparecimento do câncer).
‘‘Sabemos que o efeito estético é muito importante para a mulher. No entanto, ela deve pensar primeiro no resultado cirúrgico e funcional’’, avaliou José Kogut, vice-diretor do Inca (Instituto Nacional de Câncer). O Inca foi um dos primeiros centros brasileiros a usar o enxerto de músculos e gordura da barriga para substituir o seio, quando ele é retirado por inteiro. Essa técnica é aprovada. Outra possibilidade é abrir uma ‘‘tampinha’’ num ponto do seio mais próximo ao tumor. Na técnica de Vasconez, porém, todos os tumores, inclusive os gânglios linfáticos na axila, são retirados pela incisão na auréola.

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