Nova técnica evita o contágio de bebê
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de julho de 1998
Augusto Gazir Agência Folha 
Médicos do Hospital Durand, em Buenos Aires, aplicam há quatro anos uma técnica de cesariana que, até agora, evitou o contágio de recém-nascidos pelas mães portadoras do vírus HIV.
A cesariana hemostática, desenvolvida por Mario Pesaresi, 62 anos, chefe do setor de ginecologia do Durand, já foi realizada com sucesso em 26 partos. O método depende que a mãe e o recém-nascido tomem doses de AZT. A nossa técnica inova ao tomar cuidados para evitar o contato do bebê com o sangue da mãe. Também é melhor para a mulher portadora, que sangra menos durante o parto, afirmou Mario Pesaresi.
Especialistas argumentam que Pesaresi realizou poucos partos para garantir a eficiência total da técnica, já que o tratamento com AZT reduz os riscos de contágio.
Com o medicamento, de acordo com Pesaresi, oito em cada cem bebês nascidos em cesariana normal e filhos de mãe portadoras têm o vírus HIV. Para dizer que o método é totalmente seguro, precisamos fazer mais partos, mas estamos abaixo da média de 8%, disse Pesaresi. Meu objetivo é divulgar a técnica para que outros médicos a apliquem. Com isso, poderemos comprovar mais rapidamente se o risco é nulo, completou.
Há dez mulheres grávidas na espera para passar pela cesariana hemostática. Na semana passada, a equipe de Pesaresi fez o 27º parto com o método.
A cesariana hemostática tem o mesmo início do processo clássico. As diferenças começam depois do corte horizontal do útero. As bordas da abertura são suturadas para evitar o sangramento. Os restos de sangue são aspirados e a região esterilizada. O líquido amniótico da bolsa que contém o bebê é extraído antes que a criança seja retirada. Ela nasce limpa, sem sangue.
Andrea Claudel, de 27 anos, foi uma das mães portadoras do HIV que passou com sucesso pela cesariana hemostática. Priscila, sua filha mais nova, tem 1 ano de idade. Estava grávida de três meses, quando eu e meu marido descobrimos que éramos portadores do HIV. Nunca pensei em tirar minha filha, confiei que ela nasceria sem problemas, contou Claudel. Segundo ela, a maior angústia foi esperar os quatro meses para saber se tudo estava bem com a filha. Tenho de morrer e voltar a nascer para ter de novo uma alegria igual a que senti.
Para Claudel, as grávidas portadoras do HIV precisam enfrentar o medo e ter o filho. Já existe um montão de coisas para evitar a doença. Há momentos em que acreditar em Deus e nos médicos é a única coisa a fazer.


