Nova safra agrada crítica e público
São Paulo, 27 (AE) - A vitória de Beleza Americana, que levou para casa cinco estatuetas, foi festejada em Hollywood como uma guinada da indústria cinematográfica rumo a assuntos mais polêmicos e necessariamente atuais. Já se fala inclusive em mais um "novo" cinema americano, mais atento a tabus e dilemas existenciais. É Verdade. Mas apenas em parte. É certo que o Oscar 2000 foi bem diferente das outras edições. O ano passado, foi o ano das produções históricas, centradas principalmente na Segunda Guerra (O Resgate do Soldado Ryan
Melhor Direção, Além da Linha Vermelha e A Vida É Bela, Melhor Filme Estrangeiro) e na Inglaterra elizabetana (Shakespeare Apaixonado, o Melhor Filme, e Rainha Elizabeth). Ao final da cerimônia, comemorou-se a vitória dos filmes dados como independentes, embora os estúdios por trás de cada produção nada tenham de independente e saibam muito bem como jogar pesado na corrida ao Oscar, caso da vencedora Miramax. Um ano antes, em 1998, dizia-se que era a consagração das superproduções, com a ampla vitória de Titanic, de James Cameron. O filme levou para casa a espantosa marca de 11 Oscars
dos 14 ao que concorria. Mas é importante lembrar, também, que boa parte deles eram de natureza técnica, e que, em algumas das pricipais categorias, o filme perdeu. Foram os casos
dos prêmios de Melhor Ator e Atriz, que ficaram com Jack Nicholson e Helen Hunt, ambos de Melhor É Impossível. Por sinal, Melhor É Impossível melhor se encaixaria entre os representantes deste "novo cinema americano", que supostamente lidaria com temas mais humanos, sem sentimentalismos nem preconceitos. Homossexualismo, sucesso na vida, drogas, insatifação no casamento, família, "american way of life", o poder da mídia e dos grandes fabricantes são alguns dos temas requisitados pelos filmes deste Oscar 2000. Se eles representam algo de "novo", ainda é cedo para dizer. Mas agradaram tanto aos críticos como ao público. E isto sim, se não novo, é raro.





