Um ano depois de ser inaugurada, a nova rodoviária de Maringá continua gerando protesto de usuários, comerciantes e até de pessoas que apenas passam em frente. Os usuários acham que o prédio é bonito, mas preferem embarcar nos pontos de fora para não pagar a taxa de R$ 1,00. ‘‘Aqui não é o local ideal para uma rodoviária’’, afirma um motorista de táxi que pediu para não ser identificado.
Os maiores revoltados, no entanto, são os donos de lojas na rodoviária, a maior parte deles inadimplente com o aluguel e o condomínio e prestes a fechar as portas por falta de freguesia. ‘‘A prefeitura não está cumprindo o que foi anunciado quando compramos as lojas’’, reclama o comerciante Nereu Barros, que tem um box de lanches.
Ele lembra que a ‘‘promessa’’ da prefeitura era de ter apenas uma rodoviária na cidade, e não instalar pontos nas avenidas de acesso às estradas que passam por Maringá. Com a taxa de R$ 1,00 para embarque, as empresas de transporte reclamaram e conseguiram autorização para colocar pontos nas avenidas e voltar com algumas linhas para a velha rodoviária.
Marcos NegriniRodoviária de Campo Mourão foi construída em 1967 e poderá ser transformada em espaço cultural
Apenas o transporte metropolitano, que serve os municípios mais próximos, retirou 17 linhas de dentro da rodoviária. ‘‘Ficaram apenas as linhas de percurso mais longo, que o passageiro chega alguns minutos antes do embarque’’, lamenta. Barros calcula que o movimento é de 20% da capacidade.
A primeira proposta dos comerciantes, para não inviabilizar o negócio, foi de instalar uma escada rolante de acesso ao piso superior, onde estão as lanchonetes e as demais lojas. A prefeitura não concordou por causa do alto custo, em torno de R$ 80 mil. Os donos de box querem agora que a prefeitura permita as lojas de se instalarem no térreo, onde está o movimento de passageiros.
‘‘O piso superior pode ser transformado em salas e ocupado por órgãos públicos municipais’’, argumenta Barros. Ele compara que hoje a prefeitura não recebe o aluguel e ainda paga cerca de R$ 10 mil na locação de imóveis para abrigar vários setores.
Os 200 funcionários públicos instalados no local, calcula Barros, iriam movimentar o comércio da rodoviária. ‘‘Hoje é tão pouca gente que as empresas que privatizaram os estacionamentos estão abandonando’’, conta. Com os boxes no andar térreo, ele acredita que o movimento vai compensar.
Marcos NegriniO dono de lanchonete, Nereu Barros, sugere mudanças e diz que o movimento no terminal não passa de 20% da capacidadeO comerciante calcula que 3 mil a 3,5 mil passageiros embarcam todos os dias na rodoviária, e que mais de 7 mil pessoas passam pelo local, a maior parte parentes que vão levar a pessoa que está de viagem. ‘‘Nós perdemos esse pessoal porque estamos mal localizados’’, afirma.
A maioria dos comerciantes que se instalou na nova rodoviária está faturando apenas para pagar os funcionários. Barros conta que pelo menos três lojas estão fechadas porque os proprietários não querem abrir as portas. ‘‘A farmácia está toda montada, mas se um usuários ou quem trabalha aqui precisar de remédio tem que sair da rodoviária para comprar’’, lamenta. ‘‘A única saída, que não afetaria usuários das linhas próximas, seria a mudança das lojas para baixo’’.
O secretário de Transportes de Maringá, José Henrique Camargo, disse que o projeto da nova rodoviária não pode ser alterado. ‘‘Não podemos simplesmente mudar as lojas para baixo’’, sentencia. Ele disse ainda que a prefeitura não garantiu aos comerciantes que não haveria outro terminal. ‘‘Ficou definido que a velha rodoviária seria mesmo um terminal de ônibus intermunicipal’’, alega.Arquivo FolhaAnseiosComerciantes querem agora que a prefeitura permita a instalação de lojas no térreo, onde se concentra o movimento de passageirosMarcos Zanatta

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