Cruzeiro do Oeste - Uma semana depois de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos denunciar à Organização dos Estados Americanos (OEA) a crise no sistema penitenciário do Paraná, mais uma rebelião foi deflagrada no Estado. Dessa vez, o motim ocorreu na Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste (Região Metropolitana de Umuarama), onde mais de 800 presos fizeram refém pelo menos um agente penitenciário. A rebelião começou por volta das 15h30 e não havia terminado até o fim da edição. A Polícia Militar coordenava as negociações. Em menos de um mês, é a terceira revolta nas unidades prisionais do Estado.
Entre os dias 24 e 26 de agosto, cerca de 800 detentos se rebelaram na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), exigindo transferências e melhores condições na unidade, em um motim que resultou em cinco presos mortos e outros 25 feridos. No último domingo, a rebelião ocorreu na Cadeia Pública de Guarapuava e durou nove horas. As exigências eram as mesmas e se repetem em Cruzeiro do Oeste, para onde já haviam sido transferidos 124 presos que estavam na Penitenciária de Cascavel.
O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, voltou a cobrar ontem à noite mais contratações de agentes e melhorias nas condições de trabalho. Segundo ele, o sindicato tem uma audiência marcada para amanhã na Secretaria de Justiça e Cidadania (Seju), em que promete reivindicar a ampliação de vagas no concurso público, implantação do Plano de Carreiras e Salários e um plano de aposentadoria especial.
Dependendo do resultado do encontro, afirmou Johnson, a categoria pode deflagrar greve geral a partir do próximo dia 17, quando haverá uma Assembleia Geral em Curitiba. "Essa rebelião em Cruzeiro do Oeste já era esperada, como pode acontecer na PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina), em Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão. Será que a Seju vai falar que foi pega de surpresa de novo? Infelizmente, é mais uma situação de crise em que nenhuma medida efetiva foi tomada", criticou. A FOLHA não conseguiu ouvir ontem à noite a assessoria de imprensa da Seju.

REBELIÃO
A Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste suporta 1.108 presos e atualmente abriga 844 detentos. Segundo informações do Sindarspen, a rebelião teve início na sexta galeria do bloco um, onde ficam 36 detentos. No entanto, há quatro galerias conjuntas naquela área, abrigando um total de 144 presos. Parte dos amotinados tomou o terraço de uma das 32 galerias. Informações iniciais, repassadas pela Polícia Civil, davam conta de dois agentes penitenciários feitos reféns. A Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), no entanto, informou que era apenas um. O agente teria sido feito refém no solário, que é o pátio onde os presos tomam o banho de sol.
O presidente do Sindarspen, Antony Johnson, disse que no momento da rebelião havia 40 agentes trabalhando na penitenciária, já que é esse o número de agentes atuando em cada um dos três plantões. Ao todo, portanto, a unidade conta com 120 agentes, número que o Sindarspen considera insuficiente. "O ideal seria no mínimo 180", afirmou Johnson.

mockup