Buenos Aires, 30 (AE) - "O país estava pegando fogo, os pobres faziam fila para conseguir um pouco de comida e o presidente e sua mulher quebravam pratos." Dessa forma, a escritora e jornalista Olga Wornat descreveu à Agência Estado a vida cotidiana do casal Carlos Menem e Zulema Yoma durante o complexo ano de 1990.
Wornat apresenta muitos detalhes no livro "Carlos Menem - Vida Privada", que será lançado em breve e é aguardado com expectativa pelo público. Mas esses mesmos leitores que esperam deleitar-se com os detalhes sórdidos do livro suspiram aliviados por esse show ser coisa do passado. A descrição dessa relação contrasta com o cotidiano do novo casal presidencial: Fernando de la Rúa e Inés Pertiné. Um discreto estilo chegou à residência oficial de Olivos. Toda gritaria será castigada.
Menem e De la Rúa, filhos de famílias de classe média, casaram-se com filhas de famílias que lhes permitiram ascensão social. Os Yomas financiaram Menem ao longo de décadas de carreira política. Os Pertinés possibilitaram a De la Rúa o aval necessário para que esse jovem advogado cordobês pudesse ser aceito no restrito círculo social da aristocracia portenha.
O casamento de Menem com Zulema teria sido arranjado pelas famílias dos dois. Menem viajou com seu pai a Damasco, onde conheceu Zulema na casa do clã. Assim, com casamento arranjado, namoraram durante dois anos por carta. Anos depois, Menem deu uma versão que explicita seu estilo: horas antes de conhecê-la, ele caminhava pela rua da capital da Síria quando a seu lado passou uma bela mulher. Em espanhol, Menem disse: "Ei
você não quer casar comigo só por uma noite?" A mulher respondeu: "Tinha de ser argentino!" A mulher era Zulema.
Vômito Negro. O nome não sugere um lugar elegante onde se poderia levar alguém que se deseja conquistar. Mas o jovem De la Rúa escolheu esse restaurante de nome peculiar para iniciar o namoro com Inés Pertiné. O romance seguiu os passos tradicionais: namoro-noivado-casamento. Antes de Inés, De la Rúa teve uma namorada durante uma década, da qual misteriosamente se recusa a falar, ou mesmo informar o nome.
"Inés Pertiné sempre foi discreta", diz Wornat. Ela se manteve longe de escândalos, embora o curriculum vitae da família esteja manchado pelo passado de simpatizante nazista do avô, o ministro e general Basilio Pertiné, e pelas suspeitas de que o irmão de Inés, o contra-almirante Pertiné, tenha participado dos "vôos da morte", em que esquerdisatas eram jogados vivos de avião no Rio da Prata. A acusação não foi comprovada.

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