Washington, 06 (AE-ANSA) - Uma nova pista nas investigações sobre a corrupção russa passa pelas ilhas Cayman e implica o genro de Boris Yeltsin, Leonid Dyachenko, casado com Tatiana, a filha mais velha do presidente russo.
A pista leva ao Kremlin depois de uma tortuosa conexão entre o Bank of New York, que canalizava milhões de dólares exportados ilegalmente da Rússia, e uma empresa investigada por lavar o dinheiro na Suíça.
Dyachenko, de 39 anos, é o personagem principal neste novo capítulo do mistério.
A procuradora federal americana Mary Jo White não confirmou notícias publicadas pelo diário russo Sebodnia, dando conta que Dyachenko seria chamado a depor em Nova York na semana que vem.
O grupo russo-americano Belka Trading, dirigido por Dyachenko, negou categoricamente hoje, através de um comunicado divulgado pela agência Itar-Tass, a suposta intimação do genro de Yelstin para responder perante um grande júri de Nova York por lavagem de dinheiro ou evasão fiscal.
Soube-se, entretanto, que no centro das investigações existem duas contas abertas por colaboradores do genro de Yeltsin na filial do Bank of New York nas Ilhas Cayman.
Segundo o Wall Street Journal, essas contas, nas quais estão depositados US$ 2,7 milhões, são o vínculo entre as duas principais rotas que percorreram os capitais russos: o Bank of New York e os bancos suíços.
"Pela primeira vez - disseram investigadores ao respeitado diário financiero - surge a suspeita de que Dyachenko, parente e conselheiro do presidente Yeltsin, esteja vinculado à lavagem de dinheiro sujo".
Efetivamente, centenas de milhares de dólares foram transferidos das duas contas nas Ilhas Cayman para a conta de Runicom, uma empresa comercial com sede na Rússia, Suíça e Gibraltar.
"Uma pessoa que conhece a situação assinalou que os investigadores estão examinando as relações entre a Runicom e diversas companhias com sede na Suíça, suspeitas de terem transferido ilegalmente centenas de milhões de dólares da Rússia para o exterior", escreveu o Wall Street Journal.
Atrás da Runicom se escondem dezenas de acionistas anônimos, mas segundo o diário o controle da empresa está nas mãos de Roman Abramovich e Boris Berezovsky, duas figuras de destaque dos círculos financeiros russos vinculados ao genro de Yeltsin através de uma espessa rede de interesses.
Uma das principais atividades de Runicom é a venda ao exterior de petróleo russo, mas os investigadores americanos suspeitam que junto com o petróleo também eram exportadas armas.
As contas das Ilhas Cayman estavam em nome das empresas Bennington Holdings e Normandy Enterprises, mas parece que já está certo que ambas eram de Dyachenko.
"Contra nosso homem - disse um investigador - existem suspeitas, mas não provas: no momento só sabemos que havia um movimento de capitais até uma companhia suspeita da Suíça".
A investigação sobre as Ilhas Cayman continua independentemente de outra sobre as nove contas na sede central do Bank of New York, pelas quais passaram pelo menos US$ 7 bilhões exportados ilegalmente da Rússia.
A procuradora White incriminou na terça-feira três pessoas: a vice-presidente do banco, Lucy Edwards, seu marido, Peter Berlin, e um terceiro sócio, Aleksey Volkov.
Eles foram acusados de tranferência ilícita de dinheiro, e não de lavagem.
De 1996 a 1999, segundo consta nas atas apresentadas pela magistrada, enormes somas de dinheiro chegaram da Rússia para o Bank of New York "quase diariamente, e eram imediatamente despachadas para outras contas no exterior".
A procuradora não pôde determinar ainda se tratava-se de dinheiro sujo ou de desvio de dólares emprestados à Rússia pelo Fundo Monetário Internacional.

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