Blace, Macedônia, 15 (AE-AP) - Uma nova onda de refugiados kosovares atravessou hoje a fronteira com a Macedônia, afirmando ter sido levada pela intensificação da limpeza étnica nas comunidades albanesas. Segundo relatos, ainda há milhares atrás deles.
Nos últimos dois dias, mais de 5.500 refugiados entraram na Macedônia. Alguns dizem que decidiram sair de Kosovo porque ouviram dizer que as fronteiras estavam abertas e porque temiam permanecer no local.
Os sérvios estariam bombardeando as montanhas onde estavam escondidos, acusam os kosovares. Uma equipe da tv sérvia em Kosovo informou que hoje havia fumaça nas montanhas e que os vilarejos próximos da cidade de Urosevac pareciam vazios.
Os recém-chegados disseram que foram obrigados a pagar propinas para poderem sair de Kosovo. "Eles ficaram com 200 marcos nossos. Tivemos que suborná-los, ou não nos deixariam sair", disse Mimoza Aliu, de 18 anos. Outras histórias parecidas eram repetidas.
Arbenita Asllani, de 19 anos, contou que os sérvios queimaram sua casa em Sorejo. Aliaze Kajtaine, outra recém-chegada, disse que também teve a casa queimada, mas que, além disso, as forças sérvias mataram seu marido. Depois disso, ela e seu filho fugiram de Pristina no seu próprio carro.
Alarmada pelo novo influxo de refugiados, a Macedônia pediu aos países estrangeiros para aceitarem mais refugiados, acusando o mundo de não fazer o bastante.
O presidente Kiro Gligorov disse que "o peso da crise não pode recair apenas sobre dois países economicamente fracos dos Bálcãns". Ele pediu mais ajuda e garantias da integridade territorial de seu país.
A Macedônia já recebeu mais de 120 mil refugiados nas últimas três semanas, enquanto a Albânia mais de 300 mil.
O conflito na Iugoslávia já expulsou mais de meio milhão de refugiados de Kosovo e muitos dizem que os sérvios os forçaram a sair.
Depois de uma pequena pausa nas expulsões, numa espécie de trégua por causa da Páscoa Ortodoxa, a Sérvia parece estar reiniciando a "limpeza étnica" de Kosovo.
"Estamos esperando mais pessoas, e parece que o número está crescendo exponencialmente", disse Paula Ghedini, porta-voz da Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas.
Os sérvios estão enchendo trens e enviando os albaneses étnicos para um ponto próximo da fronteira, onde então dizem para caminharem sobre os trilhos por cerca de uma hora, até Blace, fronteira entre Kosovo e a Macedônia.
Cerca de mil pessoas estão há um dia nesse local, terra de ninguém, esperando para atravessar para a Macedônia. Elas dizem que três mil ou talvez cinco mil kosovares estão atrás, ainda em Kosovo. Segundo Ghedini, outros mil kosovares são esperados num posto de fronteira não oficial.
Autoridades mantiveram ônibus de Brazda esperando fora do remoto campo de refugiados de Radusa, que tem a reputação de ser o pior campo. Sentados nos ônibus durante horas, os refugiados reclamavam de sede e do calor. As autoridades da Macedônia mais tarde disseram que os refugiados iriam dividir tendas com outros no campo esta noite.

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