Nova nota de Krugman explica erro
São Paulo, 18 (AE) - O economista Paul Krugman divulgou hoje, em sua página pessoal na Internet, mais uma nota em que admite e explica seu erro ao insinuar que o presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga Neto, teria passado informações privilegiadas a seu ex-patrão, o megainvestidor George Soros. A seguir, a íntegra da nota:
"O que me fascina agora, após uma semana terrível, é quão inadvertidamente e distraidamente eu cometi um dos maiores erros da minha vida.
Eis aqui o que aconteceu.
No dia 3 de fevereiro eu entreguei minha coluna na (revista eletrônica) Slate e, obviamente, tinha de ser sobre o Brasil. Eu escrevi um artigo basicamente analítico, focalizado na lógica circular da crise. Nos dois dias anteriores eu havia recebido alguns e-mails sobre movimentos no mercado e incluí um comentário lateral a respeito do que eu havia ouvido. Eu enviei o artigo sem pensar que pudesse ter escrito algo discutível. De fato, se eu tivesse ficado preocupado com o artigo - que seria publicado uma semana depois - minha única preocupação seria sobre quão tedioso ele seria, principalmente por causa da repetição de várias coisas que eu já havia dito anteriormente.
Isso parece incrivelmente estúpido e foi mesmo. Eu tento ser coloquial em meus textos e havia incluído algum material que uma pessoa poderia ter mencionado durante uma pausa para o café. De alguma forma, não me ocorreu que num artigo distribuído globalmente pela Internet os padrões devem ser diferentes.
Eu já escrevi colunas provocativas no passado e vou continuar fazendo isso no futuro. Mas este caso foi diferente. Eu esperava pouca ou nenhuma reação.
Então, veio a explosão do Brasil.
Está claro agora que eu esqueci uma regra básica: embora eu encare meus textos como um tipo de conversação entre eu e meus leitores, há regras de cuidado jornalístico que devem ser aplicadas. Normalmente, isso não seria um problema, porque eu não sou um reporter. O que produzo é uma análise de fatos publicamente disponíveis, não jornalismo investigativo. Eu estou tão acostumado a simplesmente dizer o que tenho em mente - e me orgulho por minha disposição em dizer coisas que ninguém mais diria - que nem percebi que tinha ido além dos limites. Não vou baixar o tom dos meus textos: não vou hesitar em dizer o que acredito se verdade, mesmo que seja doloroso para algumas pessoas. Mas nunca vou passar dos limites de novo."





