Rio, 24 (AE) - A segunda rodada de licitações para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil será lançada no próximo dia 30. O leilão deve ocorrer entre abril e maio de 2000. Segundo o diretor geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, entre 21 e 25 áreas devem ser licitadas, mas a quantidade ainda não está fechada.
"A descoberta do megacampo de petróleo pela Petrobrás na Bacia de Santos pode mudar os detalhes da licitação", afirmou. "A ANP está rearranjando os blocos porque temos alguns perto da área onde foi encontrado o petróleo". Zylbersztajn informou que podem ser disputadas áreas que na primeira licitação não foram arrematadas, áreas devolvidas pela Petrobrás e áreas novas. Desta vez, o percentual de áreas em terra deve ser maior do que na rodada anterior.
A comprovação da existência de óleo leve em Santos vai acirrar a concorrência na segunda rodada. "A Bacia de Santos, considerada uma bacia de gás, mostrou-se uma bacia petrolífera"
explicou o diretor-geral da ANP. "A descoberta tornou o interesse em Santos igual ao interesse nas bacias de Campos e Espírito Santo", disse o diretor da YPF, João Carlos de Luca.
A YPF vai investir US$ 210 milhões apenas na busca do petróleo nos próximos cinco anos. A empresa e a Texaco já confirmaram o interesse na próxima licitação. Até o final de outubro, a ANP deve fazer um road show no Rio. Depois, vai para Tóquio. Em janeiro ou fevereiro, a agência pode promover um seminário em Londres para explicar a licitação.
O prazo que as empresas terão para analisar os dados, de cerca de seis meses, será maior do que os quatro meses e meio da primeira rodada. Isso vai permitir que as médias empresas tenham mais condições de participar, inclusive em parceria com as grandes, acredita Zylbersztajn.
Na nova rodada, a participação de empresas nacionais nos projetos dos interessados nos blocos pode ser um dos itens da pontuação. Zylbersztajn diz que a indústria nacional tem capacidade para atender 60% da demanda de produtos, bens e serviços de engenharia e pode disputar os US$ 20 bilhões que devem girar no mercado de petróleo em cinco anos. O Banco do Brasil, informou o diretor, estuda uma linha específica para o setor, semelhante ao projeto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Hoje, com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, a ANP assinou os contratos da primeira rodada com as onze empresas vencedoras: Petrobras, Esso, Texaco, Shell, YPF, Agip, Amerada Hess, British Petroleum, Unocal, British Borneo e Kerr McGee. No leilão, realizado em 15 e 16 de junho deste ano, a ANP ofereceu 27 blocos em oito bacias sedimentares. Doze blocos off-shore foram arrematados por R$ 321 milhões. Os contratos podem durar até 36 anos e ainda serem prorrogados.

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