TRAVESSIA COMPLICADA Nova lei cria tumulto na Ponte da Amizade Dia de movimento de sacoleiros acabou em confusão; ônibus tiveram que ser liberados pelos fiscais por causa da longa fila Fotos Ney de Souza CONFUSÃOO motorista Florentino Pescador (acima), que esperou mais de cinco horas para seguir viagem, disse que medida vai acabar com os sacoleiros; ao lado, o vereador paraguaio Dario Domingues discute com o chefe do posto da Receita Federal na Ponte da Amizade, Luis Gustavo Robetti De Foz do Iguaçu Vereadores paraguaios e agentes da Receita Federal se desentenderam no primeiro dia de grande movimento de sacoleiros em Ciudad del Este, no Paraguai, depois que foram implantadas as normas de reordenamento do trânsito na região da Ponte da Amizade, que liga a cidade paraguaia a Foz do Iguaçu. Quando foram liberados os 115 ônibus de sacoleiros que esperavam para retornar ao Brasil, autoridades paraguaias e integrantes do Polo Iguassu (entidade que promove o turismo na fronteira) acompanharam o comboio até a aduana brasileira. Um grupo de 80 mototaxistas aproveitou a confusão para fugir da fiscalização, provocando tumulto no posto da Receita Federal. O vereador Dario Domingues, presidente do Comitê de Segurança e Trânsito de Ciudad del Este, justificou a ‘‘bagunça’’ dizendo que pretendiam apenas anunciar a entrada em vigor da nova lei. ‘‘Além disso, queríamos também convidar as autoridades brasileiras para uma maior integração entre as entidades que promovem o turismo nos dois países’’, disse. O chefe do posto da Receita Federal na Ponte da Amizade, Luis Gustavo Robetti, pediu explicações sobre a atitude dos paraguaios, já que aquela é uma área de segurança e está sob o controle da Polícia Federal brasileira. Como os ônibus de sacoleiros só podem voltar ao Brasil depois das 15 horas (horário de Brasília), a fiscalização na aduana foi prejudicada. ‘‘Antes, este trabalho era realizado durante todo o dia. Agora, vamos ter que fazer isso tudo de uma vez’’, reclamou Robetti. Por causa da confusão, quase todos os ônibus foram liberados sem a revista. Segundo o chefe da aduana, ‘‘esta foi a única maneira de evitar ainda mais confusão. Não fomos informados oficialmente desta restrição de horários’’, justificou. Muitos sacoleiros criticaram a nova lei. Alguns tiveram que esperar mais de cinco horas para seguir viagem. O motorista gaúcho Florentino Pescador criticou a medida e disse que este é o fim dos sacoleiros. ‘‘Como o tempo de viagem dobrou, muitos vão desistir deste comércio e os homens vão conseguir acabar de vez com a categoria’’, reclamou. ‘‘Apesar de ainda estar em fase de teste, a lei demonstrou que é possível melhorar o trânsito na fronteira. Estamos fazendo nossa parte, mas é preciso que os brasileiros nos ajudem’’, pediu Domingues.

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