Nova-iorquinos fazem piadas depois de passagem de Floyd De Renan Antunes de Oliveira, Especial para a AE
Nova York, 17 (AE) - O day after da passagem do furacão Floyd amanheceu ensolarado, com os nova-iorquinos fazendo piadas, aliviados depois de um dia de grande tensão. Esperado como a pior tormenta da história americana, o furacão tornou-se uma simples chuvarada tropical. Apesar de ter causado grandes transtornos nos aeroportos e trânsito da cidade, não fez vítimas nem grandes danos.
"O Floyd não é de nada", disse o italiano Marco Ruschi, 58 anos, morador em Astoria. "Na hora em que ele estava supostamente em seu auge, ontem (quinta-feira) à noite, sai para comprar vinho. Minha mulher dizia para ficar em casa, toda assustada, mas a realidade é que já vi ventinhos piores".
No Bronx, moradores lembravam chuvaradas e ventos de 1992 que teriam sido mais fortes. A ameaça do grande furacão acabou logo cedo na quinta-feira, quando ele começou a se desviar para o mar, vindo do Sul - o olho da tormenta nunca chegou perto de Nova York.
Suas franjas trouxeram muitas chuvas e ventos às regiões costeiras, em especial New Jersey e Long Island, periferias da capital do mundo - as mesmas áreas que alagam com qualquer chuvinha.
As águas do Floyd alagaram as avenidas marginais de Manhattan, paralisando o tráfego e pontes de acesso à cidade durante algumas horas. Os aeroportos cancelaram a maioria do vôos. Escolas, repartições e muitas empresas privadas fecharam. A Bolsa de Wall Street funcionou normalmente.
Os ventos derrubaram alguns postes, provocando interrupção no fornecimento de energia em 13 mil residências. Oito mil telefones amanheceram mudos. Nenhum serviço vital foi afetado durante as chuvas.
A maioria das estações de tevê e fotógrafos se concentraram no bairro do Soho, o mais baixo da zona sul de Manhattan, a espera das cenas de carros sob a água.
O máximo que o pessoal conseguiu foi um ciclista numa rua alagada, com água cobrindo só a parte de baixo dos pneus, usado na capa do Post. O New York Times mostrou um carro com água na altura da janela, mas indicando que o flagrante fora obtido na vizinha cidade de Newark, no estado de New Jersey.
Nova York nunca recebe impacto direto dos furacões tropicais, que quando chegam já vem com ventos reduzidos a 70 km por hora. Avisos das autoridades pela tevê aconselhando a população a permanecer em casa, esvaziaram as ruas, reduzindo os problemas no tráfego.
O prefeito Rudolph Giuliani, em pré-campanha ao Senado e enfrentando esporádicas aparições da adversária Hillary Clinton na cidade, capitalizou o evento. Do bunker do World Trade Center, o centro de comando para emergências, ele acompanhou a passagem do Floyd, falando à população pela tevê de hora em hora.





