Silvio VeraPedágioOs manifestantes decidiram cobrar passagem dos veículos, incluindo a transposição do Rio Iguaçu em balsaMoradores das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná invadiram o Parque Nacional do Iguaçu no final da tarde de anteontem e, ontem pela manhã, reabriram a Estrada do Colono, que corta a reserva, e que estava fechada desde 1986, por decisão judicial. No ano passado, o mesmo grupo ocupou o parque entre maio e julho e manteve a estrada aberta por 19 dias.
Ontem, os invasores restabeleceram o tráfego apenas para carros de passeio e caminhonetes, com a cobrança de um pedágio irregular de R$ 5,00 por veículo. Nessa taxa, está incluída a utilização de uma balsa para atravessar o Rio Iguaçu, no município de Capanema (Sudoeste). O trecho da estrada liga Capanema a Serranópolis do Iguaçu (Oeste).
A invasão, que desta vez foi coordenada por um grupo intitulado Movimento Amigos do Parque Nacional do Iguaçu, é por tempo indeterminado e tem o objetivo de pressionar o Ibama a concluir a revisão do Plano de Manejo do parque. Esse documento poderá permitir a reabertura legal e definitiva da estrada.
Foi a promessa de revisão do plano que levou os moradores a encerrar uma outra ocupação da área, em julho do ano passado. Em um acordo verbal feito com a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que liderou a ocupação naquela época, o Ibama prometeu concluir o estudo até 1º de outubro. Depois, esse prazo foi prorrogado para o final de dezembro.
O superintendente do Ibama/PR, Jonel Iurk, disse ontem à Folha que o atraso foi provocado pelo excesso de chuva e pela dificuldade na contratação de técnicos estrangeiros. Iurk previu que o estudo estará concluído ‘‘dentro de alguns meses’’. Mas ‘‘a população está cansada de esperar’’, responde o deputado estadual Irineu Colombo (PT).
DesobediênciaOntem à tarde, o Ibama ingressou na 1ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, com pedido de reintegração de posse da área. O superintendente do órgão disse que lamenta ‘‘profundamente’’ a invasão, mas manterá o diálogo.
Até o final da tarde, o juiz da 1ª Vara, Zuudi Sakakihara, não havia analisado o pedido do Ibama. Por outro lado, o procurador geral da República no Paraná, Sérgio Cruz Arenhardt, pediu ao juiz a prisão, pelo crime de desobediência, dos donos da empresa S. Andreis - que opera a balsa no Rio Iguaçu - do condutor da balsa e de Marcos Pagani, presidente da Aipopec.
Arenhardt pede também que o juiz ordene à Polícia Federal que bloqueie as duas extremidades do trecho de 17,6 quilômetros da estrada que cortam o Parque do Iguaçu. Ontem, apenas uma agente da Polícia Federal esteve na estrada fazendo uma vistoria.
A situação no local era tranquila. Até o final da tarde, cerca de 100 veículos haviam passado pela estrada. Aproximadamente 200 pessoas permaneciam acampadas nas extremidades do parque. A invasão, no domingo, foi feita por cerca de 500 pessoas.
O deputado Colombo informou que o movimento aguarda o julgamento de dois recursos - junto ao STF e ao STJ. Esses dois recursos foram movidos depois que o TRF da 4ª Região (Porto Alegre-RS), anulou decisão do juiz Pedro Paim Falcão que, em 27 de maio do ano passado, derrubou a liminar que mantinha a estrada fechada desde 1986.

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