Nova greve seria rompimento de negociações, adverte Padilha
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 9 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, afirmou hoje que as ameaças de novas paralisações de caminhoneiros são "absolutamente injustificáveis" e ameaçou interromper as negociações com a categoria. O ministro passou o dia monitorando as ameaças dos caminhoneiros e divulgou uma nota oficial no início da noite. "Buscar nova paralisação significará romper as negociações e jogar tudo fora apenas para atender a interesses pessoais", afirmou o ministro.
A reação de Padilha deve-se a duas interrupções de estradas ocorridas na manhã de hoje e ameaças de novas greves anunciadas por líderes da categoria no final de semana. Desde a manhã de hoje, o Ministério dos Transportes passou a acompanhar continuamente os movimentos que ocorrem pelo País.
Padilha recebia permanentemente informações da Polícia Rodoviária Federal, do serviço de escuta de emissoras de rádio, contratado por sua assessoria e da rede de informações do governo federal.
Um grupo de caminhoneiros interrompeu o tráfego na BR 153, perto de Terezópolis de Goiás, protestando contra o aumento do preço do óleo diesel. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, cerca de 250 caminhões ficaram parados, mas não houve interrupção do movimento de ônibus e carros de passeio. À tarde, a estrada foi totalmente liberada. Outra paralisação ocorreu em Jequié (BA), em uma reinvidicação para melhoria das condições de tráfego da estrada.
O ministro dos Transportes lembrou que o governo usará "todos os meios disponíveis" para garantir a continuidade das negociações, o direito de ir e vir e o livre trânsito das mercadorias. Segundo a nota do ministro, estes movimentos ocorrem de forma "inexplicável e inesperada" e são injustificáveis, "pois há um acordo sendo cumprido".
"O setor e a categoria estão representados formalmente e muitas conquistas importantes já estão consumadas", afirmou o ministro. Como representantes dos caminhoneiros, a nota cita o porta-voz do Movimento União Brasil Caminhoneiros, Nélio Botelho
o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná
Gilmar Cunha Bueno e o presidente da União dos Caminhoneiros do Brasil (Unicam), José de Araújo.
De acordo com a nota, o governo e "os caminhoneiros que realmente querem conquistas para a categoria e os brasileiros em geral não permitirão tal desatino".
Padilha explicou também que a suspensão do preço do diesel não foi objeto do acordo assinado no final de julho e insistiu que o governo decidiu conceder reajutes menores no Diesel "do que nos demais derivados do petróleo". Desde dezembro, porém, o governo já vem adotando esta prática.


