São Paulo, 01 (AE) - A nova greve dos caminhoneiros, marcada para esta semana, não teve adesão significativa da categoria, nem prejudicou o transporte de cargas, apesar de as lideranças do movimento terem divulgado que intensificariam o protesto a partir de hoje.
A Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC) informou que, até ontem, nenhuma empresa reclamou de dificuldades na entrega de produtos. Segundo a assessoria da entidade, que representa 12 mil empresas do setor, ocorreram pequenas paralisações na segunda-feira no Paraná, No Espírito Santo, na Bahia e em Mato Grosso, mas ontem o transporte estava normal em todo o País.
O presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros, José Natan Soares, disse que a entidade vai rever a estratégia do movimento. Segundo ele, a paralisação estaria ocorrendo somente entre os autônomos - que não estão saindo de casa -, mas é preciso envolver os funcionários de transportadoras.
"Estamos orientando o pessoal a sair e, se preciso, trancar as estradas novamente", disse Soares. Segundo ele, já foi enviado ao presidente Fernando Henrique Cardoso documento com as reivindicações da categoria que incluem aumento do preço do frete e redução dos pedágios, mesmas propostas que, no fim de julho, levaram a categoria a provocar desabastecimento em várias partes do País.
Sinal - Em São Paulo também não há sinal de paralisação. Um dos líderes dessa nova greve, José Araújo Silva, o China, que preside a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) admitiu o fracasso do movimento no Estado.
Já em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, 80% da categoria estaria parada, segundo cálculos do sindicalista.
China citou que, no Posto Paranaguá, tradicional ponto de caminhões no Paraná, apenas 200 veículos foram abastecidos ontem. "A média diária é de 2 mil caminhões", disse.
No Posto Trevão, em Rondonópolis (MT), de uma média de 300 caminhões que abastecem diariamente, só três passaram por lá ontem, afirmou China.
Sem informação - Caminhoneiros que hoje deixavam São Paulo afirmaram terem "ouvido falar da greve", mas não tinham informação concreta sobre o movimento. "Se tiver greve novamente vou participar", disse José Teodoro, que retornaria ao Paraná, de onde chegou na terça-feira com um carregamento de papel.
Na volta, Teodoro vai levar dois veículos que estão sem condição de rodar. "Nossa situação está muito difícil; não sobra quase nada do frete", reclamou. Tirando gastos com pedágio e óleo diesel, ele fica com R$ 300 após uma viagem de ida e volta ao Paraná. "O Nélio Botelho vendeu-se", disse o caminhoneiro ao lembrar que, após a paralisação no início de agosto o preço do diesel subiu.
"Não recebi qualquer orientação mas, se a greve estiver em andamento, vou ficar em casa", afirmou Carlos Roberto Silva. Ele está seguindo para Ituverava, interior do Estado, e de lá para Rondônia com um carregamento de vidros para ser entregue à Santa Marina, em Costamar.
"Só até Ituverava são oito pedágios, que custam R$ 14 40 cada", afirmou. "Nós somos uma categoria esquecida por todos, mas já provamos que podemos parar o Brasil", disse Silva. Aos 50 anos, metade deles trabalhando como caminhoneiro, Silva reclamou que, quando ocorreu a primeira greve "muita gente achou que estávamos errados, mas não temos mais como viver."
Lourival Pool acha que a greve não resolve os problemas da categoria mas, se o movimento se intensificar, vai ficar parado no local em que estiver. Ele também está seguindo para o Paraná. Chegou em São Paulo com uma carga de papel e retornará com o caminhão cheio de aparas.
Com seis pessoas na família para sustentar (incluindo três netos que eram de seu filho que também era caminhoneiro e morreu em um acidente), Pool disse que consegue realizar uma viagem por semana, ganhando perto de R$ 400 por viagem.

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