Buenos Aires, 23 (AE-IPS) - O cenário político argentino está alterado agora. Isso por conta da decisão de dois pré-candidatos presidenciais do oficialismo de formarem uma chapa conjunta para as eleições de outubro.
A medida deixa o presidente Carlos Menem sem margem de manobra para aspirar a um terceiro mandato. O governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, decidiu se juntar ao ex-cantor e ex- governador da província de Tucumán, Ramón "Palito" Ortega.
Até agora Duhalde era o favorito das eleições internas do Partido Justicialista de 11 de abril. Ortega o seguia na preferência e até recentemente era considerado o "delfim" de Menem na disputa interna.
Segundo pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública, o governador Duhalde - um crítico do atual modelo econômico por conta de seus efeitos sociais - tem 40% das intenções de voto, seguido por Ortega (20,5%), quando se trata de saber de um argentino quem, do oficialismo, ele gostaria de ver presidente.
No entanto, quando perguntado se prefere a continuidade dos peronistas ou a Aliança, de oposição, esta ganha disparado. A Aliança, de centro-esquerda, tem a fórmula presidencial definida desde novembro. Seu candidato será Fernando de la Rúa, o preferido nas sondagens.
Os argentinos, segundo as pesquisas, parecem querer a centro- esquerda no poder. A Aliança tem atualmente 41,5% das intenções de voto. O justicialismo aparece com 30,3%.
Contudo, todas as pesquisas são anteriores à união inesperada entre Duhalde e Ortega. Analistas acreditam que a aliança dos dois candidatos do peronismo objetiva derrotar Fernando de la Rúa.
Menem tem simpatizantes para sua aspiração de alterar a Constituição e tentar governar o país pela terceira vez. Para o subsecretário de Assistência Social, Roberto Fernández, a Suprema Corte de Justiça, que resolverá o assunto, "não pode demorar muito". Já o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota (Justicialista), acha que Menem "é o melhor candiato". Para Adolfo Rodríguez Saa, que governa a província de San Luís, "a habilitação de Menem não está descartada ainda".
A iniciativa dos dirigentes próximos ao presidente se baseiam na tentativa de convencer a Corte de que o atual mandato de Menem (1995-1999) não é o segundo, e sim o primeiro, já que começou depois da reformulação constitucional de 94 que o permitiu sua reeleição.

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