Brasília, 15 (AE) - Com a reforma ministerial praticamente concluída pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a nova equipe teve o perfil técnico reforçado e perservou a correlação de forças partidárias. O anúncio será feito amanhã (16), ao meio-dia.
Até o início da noite de hoje, a única dúvida restante no modelo arquitetado pelo presidente era se o Ministério da Ciência e Tecnologia continuaria existindo ou seria desmembrado entre as pastas de Educação e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O equilíbrio partidário dentro do primeiro escalão foi preservado, com o PMDB ganhando a nova pasta da Integração Nacional, cujo ministro será o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e ainda assumindo a Cultura, com a nomeação do senador José Fogaça (RS) no lugar do ministro Francisco Weffort.
O PPB também manterá a cota de dois ministros. Francisco Dornelles permanece na pasta do Trabalho e o ex-ministro dos governos Emílio Garrastazu Medici e Fernando Collor de Mello, Marcos Vinícius Pratini de Moraes, no Ministério da Agricultura, substituindo o também pepebista Francisco Turra. A pasta da Justiça, que era ocupada pelo pemedebista Renan Calheiros, perde a cor partidária, com a nomeação do advogado-geral da União, Geraldo Magela Quintão.
Os quatro ministros do PFL permanecem nos postos. Já o PSDB, principal incentivador da reforma, não conseguiu o objetivo de reforçar a presença no ministério. A pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, para a qual o partido articulava um nome de forte expressão política, continuará nas mãos de técnicos tucanos com pouco compromisso com os objetivos da legenda. Sai o ministro Celso Lafer e entra o atual ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Para o lugar de Carvalho, vai o ministro de Orçamento e Gestão, Pedro Parente. No posto de Parente, ficará o secretário-executivo da pasta, Martus Tavares.
O novo ministério começa em crise. Depois de uma reunião de três horas com o presidente na noite de ontem (14), o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), acertaram a nomeação de Bezerra para a pasta da Integração Nacional, que seria reforçada com a saída dos Bancos da Amazônia (Basa) e do Nordeste do Brasil (BNB), sob o comando do Ministério da Fazenda. "Vamos ter uma pasta com os bancos e com os fundos constitucionais; será um ministério bom; o presidente garantiu", disse Geddel. "A idéia é que a pasta ficará com os bancos", confirmou Temer.
Horas depois, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, divulgava uma nota oficial, afirmando que o Basa e o BNB continuam no Ministério da Fazenda. Sem os bancos, a nova pasta criada para Bezerra não terá instrumentos com o objetivo de desenvolver uma política de incentivos para as Regiões Norte e Nordeste, ficando, na prática, muito parecida com a Secretaria de Políticas Regionais, atualmente comandada pelo secretário Ovídio de Angelis, que se encarrega da política de irrigação e da defesa civil.
Na reunião do presidente com os pemedebistas, Fernando Henrique ouviu uma exigência: o partido não iria aceitar que o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, migrasse para a pasta da Justiça.
"Deixamos claro que isto era intolerável", disse Geddel. O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), que está no exterior, participou da conversa por telefone, em sistema viva-voz. "Nós dissemos que o partido não tem arestas com o presidente e sim com uma banda do PSDB, que, querendo enfraquecer o PMDB, enfraquece o governo", disse Geddel.
Descartado o nome de Veiga, o presidente afirmou que gostaria de ter um técnico na pasta. Temer sugeriu o nome do advogado Manoel Alceu Affonso Ferreira, que foi secretário da Justiça do Estado de São Paulo no governo Luiz Antônio Fleury Filho, hoje deputado pelo PTB. O presidente fez o convite ao advogado hoje, mas a resposta foi negativa. Os pemedebistas saíram do encontro, na madrugada de hoje, ainda com a certeza de ganhar uma terceira pasta. "Ele falou em Agricultura, Cultura ou Ciência e Tecnologia", disse Geddel.
Procurando preservar a seção goiana do PMDB, que perdeu a extinta Secretaria de Políticas Regionais, o partido propôs quatro nomes ao presidente para a pasta de Ciência e Tecnologia, nenhum com qualquer relacionamento com a área: o do ex-deputado Sandro Mabel, fabricante de bolachas, o dos deputados Luiz Bittencourt e Euler Moraes e o do próprio Angelis. O presidente preferiu convidar Fogaça para o Ministério da Cultura.

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