Nos próximos dez anos o mercado da medicina já terá à disposição drogas que vão permitir a regeneração de células da medula óssea. Isso proporcionará, em muitos casos, a recuperação de movimentos de membros. Paraplégicos poderão readquirir até a possibilidade de andar.
Essas são as principais conclusões do 37º Encontro Científico sobre Traumatismo da Coluna Vertebral da Sociedade Médica Internacional de Paraplegia, que termina hoje em Foz do Iguaçu.
A solução para a lesão da medula será uma solução mista, que vai misturar tratamento cirúrgico, com o enxerto de nervos e células, com drogas, de acordo com o ortopedista Tarcísio de Barros Filho, professor da Universidade de São Paulo (USP) e vice-presidente da Sociedade Médica Internacional de Paraplegia e presidente do encontro internacional. ‘‘Até 2008, possivelmente os resultados de pesquisas hoje desenvolvidas em animais poderão ser aplicadas em humanos.
O congresso reúne os 400 maiores especialistas mundiais da área. Eles representam 80 países e apresentaram 160 trabalhos. É a primeira vez que o congresso mundial acontece na América Latina.
Foram apresentadas pesquisas experimentais sobre a regeneração das células da coluna vertebral, além das novas drogas, cirurgias e equipamentos para se obter melhorias no tratamento de problemas de traumatismo da coluna. Os maiores avanços apresentados na fixação da coluna vertebral consistem no uso de materiais cirúrgicos (parafusos, placas e hastes) que permitem fazer a ressonância magnética.
Na recuperação da lesão da medula foram apresentadas drogas que deram bons resultados em animais. Cientistas já experimentam há alguns anos a droga metilprodizilona, responsável por evitar a necrose secundária (inchaço por exemplo, provocada pelo próprio impacto).
Os pesquisadores apresentaram também drogas que estão sendo testadas para estimular a regeneração da células que não morreram. Dentre elas, estão os fatores que possibilitam o crescimento de nervos, GM1 gangliosídeo e a 4 amineopiredina.
Segundo o professor Barros Filho, há, em cirurgias da medula, pelo menos três linhas de pesquisa. O projeto Miami, apresentado pela doutora Mary Bunge, existe há cerca de dez anos e consiste em retirar a célula nervosa, fazer a cultura e implantá-la no local onde a medula foi lesada.
Também existe a pesquisa, segundo Barros Filho, com avanços ‘‘muito bons , com enxerto de nervos, que vem sendo desenvolvido por cientistas do
Instituto Karolinski, na Suécia, e no Brasil por uma equipe da USP, coordenada por Barros Filho e o microcirurgião Ronaldo Azze.
Outra pesquisa é do grupo da Universidade da Flórida, que fez implante
com células retiradas do sistema nervoso de fetos. Barros Filho disse que ainda não é possível estabelecer prazos para a utilização dessas técnicas em seres humanos. ‘‘São várias linhas de pesquisa e cada uma pesquisando em um lugar diferente. É como se cada um cuidasse de uma pecinha de um grande quebra-cabeça.

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