Nova droga contra o câncer de próstata ajuda a reduzir tumores
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quarta-feira, 08 de abril de 2009
Herton Escobar<br>Agência Estado 
São Paulo - Cientistas nos Estados Unidos divulgaram os resultados preliminares do estudo de uma nova droga contra o câncer de próstata. Mais de 40% dos pacientes tratados até agora reduziram em mais de 50% a concentração de PSA no sangue - o que indica que seus tumores encolheram. ''É um resultado muito significativo, ainda preliminar, mas que merece ser comemorado'', avaliou o especialista Stênio de Cássio Zequi, urologista e oncologista do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo.
O estudo foi feito com 30 pacientes em estágio avançado da doença, que já haviam passado por todos os tratamentos disponíveis - incluindo a castração. Segundo resultados que serão publicados na edição desta semana da revista ''Science'', 22 pacientes tiveram redução dos níveis de PSA (antígeno prostático específico) em três meses de acompanhamento. Desses, 13 tiveram queda superior a 50% na concentração da proteína, que serve como um ''termômetro'' molecular da doença.
O câncer de próstata é dependente de testosterona, o principal hormônio masculino, produzido pelos testículos. A testosterona funciona como um ''combustível'', que se liga a um receptor na membrana das células e estimula o crescimento do tumor. Por isso, o tratamento consiste em suprimir a produção do hormônio.
Em casos mais graves, em que o tumor já se espalhou da próstata para outras partes do corpo (a chamada metástase), pode ser preciso castrar o paciente - quimicamente ou fisicamente, com a remoção dos testículos. Ainda assim, segundo Zequi, sobra um pouco do hormônio no organismo, produzido por outros tecidos.
Em alguns pacientes, mesmo após a castração, o tumor não se dá por vencido e continua a crescer com uma quantidade ínfima de testosterona. Para isso, as células tumorais passam a produzir mais receptores e aproveitam melhor o pouco combustível disponível. Nesse ponto, o tratamento passa da chamada ''supressão androgênica'' para os medicamentos antiandrogênicos - drogas que bloqueiam a interação entre a testosterona e os receptores.
Segundo Zequi, isso costuma funcionar por um ou dois anos. Depois disso, as drogas começam a fazer o efeito contrário, aumentando o efeito da testosterona sobre o tumor.
O trabalho da ''Science'' mostra os primeiros resultados de uma nova molécula antiandrogênica, mais potente, que modifica a estrutura do receptor e parece não ter o problema de reversão de efeito. Os estudos estão em fase 1 e 2 de pesquisa clínica, mais focados na segurança do que na eficácia da droga.


