Há tempos, os fumantes são bombardeados com alertas sobre os efeitos maléficos do cigarro, sempre introduzidos com a conhecida frase: ‘‘O Ministério da Saúde adverte’’. Na última sexta-feira, o alerta tornou-se mais direto e virou quase uma bronca. Os maços de cigarro, de acordo com a nova determinação federal, passaram a exibir, além das frases, fotos que ilustram os problemas causados pelo fumo.
Assim, em um maço, há um bebê prematuro dividindo as atenções com o logotipo do Marlboro. Em outro, um paciente em tratamento de câncer disputa o espaço com a marca do Hollywood. A regra vale para todos as marcas, com a variação de nove advertências, entre elas o risco de ter um infarto e de ficar sexualmente impotente.
A medida segue o modelo de uma campanha implementada no Canadá e foi regulamentada no ano passado pelo ministro da Saúde, José Serra (PSDB). As indústrias do tabaco que não cumprirem a medida serão punidas pela Vigilância Sanitária, com a apreensão de produtos e multas de até R$ 100 mil.
Outra novidade é que as embalagens terão de trazer o logotipo e o número do serviço Disque Pare de Fumar - um serviço de orientação sobre os males causados pelo fumo. ‘‘A idéia é prevenir os jovens que ainda não fumam dos malefícios do cigarro e inibir aqueles que já são fumantes’’, explica a chefe da divisão do Programa de Controle de Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Tânia Cavalcanti, de 45 anos. Ela própria tentou fumar na adolescência porque ‘‘achava bonito’’. Mas sentia enjôo. ‘‘Na época, foi frustrante, porque eu me sentia como a ‘nerd’ da turma’’, diz.

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