Nova campanha contra aids recomenda redução de parceiros sexuais
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 21 (AE) - O Ministério da Saúde está recomendando aos brasileiros a redução de parceiros sexuais e o adiamento da primeira relação para evitar as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no País. A nova abordagem educativa é o principal enfoque da campanha de prevenção contra as DSTs, lançada hoje nas emissoras de rádio e televisão.
O portador de uma DST enfrenta um risco 18 vezes maior de ser infectado pela aids em uma relação sem segurança. Isso porque gonorréia, candidíase e a sífilis provocam feridas nos órgãos genitais, facilitando a infecção pelo HIV.
Na nova campanha, o uso do preservativo é novamente lembrado como principal forma de prevenção. Mas o casal de atores Rodrigo Santoro e Luana Piovani adverte também para a importância da redução de parceiros, um fato inédito na história do programa de combate à aids do governo.
Nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), os médicos estão sendo orientados a conversar com os jovens sobre o início da atividade sexual. Entre os mais de 3 milhões de procedimentos obstétricos realizados pelo SUS no ano passado, mais de 200 mil foram curetagens, em adolescentes entre 10 e 19 anos de idade.
"Não nos importa se vão nos chamar de moralistas", disse o coordenador do Programa de DSTs e Aids do ministério, Pedro Chequer. "É o momento de ampliar o leque de informações e oferecer opções ao cidadão", justificou. Segundo ele, o governo tem a obrigação de informar sobre as alternativas cientificamente comprovadas e deixar que a pessoa escolha. É recomendação do Programa das Nações Unidas contra a Aids usar o preservativo e evitar a mutiplicidade de parceiros."Na verdade, o que se quer criar, pouco a pouco, é uma geração em que o uso da camisinha e a escolha do parceiro seja um valor", explicou o coordenador.
Combate - A campanha de prevenção inaugura uma fase de combate mais agressivo às DSTs. O ministério enviou mais de 200 mil cartas a diretores de unidades de saúde e de hospitais, avisando que deverá aumentar a procura. "A população deve buscar o serviço de saúde para tratar as doenças sexualmente transmissíveis", disse Chequer. "O projeto Aids 2 prevê recursos para atendimento e remédios, ou seja, o tratamento é um direito do cidadão." Em mais de 700 instituições de saúde existem atualmente profissionais treinados para organização do tratamento de DSTs. Estão sendo criados centros de referência em cada um dos Estados.
Até hoje o Brasil não tem estatísticas seguras sobre a incidência dessas doenças. "Agora é que estamos começando a conhecer profundamente o problema", reconheceu o coordenador. Em um trabalho de cooperação, o Canadá está fazendo estudos da ocorrências das DSTs no Brasil. Está sendo avaliado, até mesmo, o grau de resistência das bactérias brasileiras a antibióticos, com o intuito de definir qual o melhor remédio a ser usado.
Filme - O filme, de 30 segundos, mostra os atores falando diretamente para a câmara, em tom amigável, mas sério e enfático. Um spot de rádio vai alcançar principalmente a população de baixa renda. A campanha publicitária termina em julho.


