Nova Assembléia indonésia se reúne amanhã
Jacarta, 30 (AE-AP) - A mais democrática legislatura indonésia em 44 anos se reunirá amanhã (01) pela primeira vez com um programa de trabalho dominado por decisões sensíveis: conceder independência a Timor Leste e escolher um novo presidente.
A Assembléia Consultiva de 700 membros prestará juramento em meio a uma atmosfera de ansiedade na quarta nação mais populosa do mundo, que luta com mudanças políticas e contra a pior crise econômica em décadas.
"Todo mundo está preocupado com essa primeira reunião. Há muitas incertezas", disse Mochtar Pabottingi, analista político do Instituto Nacional de Ciências, em Jacarta.
Em jogo está a direção imediata da experiência democrática indonésia e quem conduzirá o país de 210 milhões de pessoas esparramado por 17.000 ilhas no próximo século.
A assembléia será dominada por 462 legisladores, eleitos em 7 de junho em eleições históricas, considerado o maior pleito democrático do país desde 1955.
O restante é formado por 38 representantes do exército e 200 pessoas nomeadas nas 27 províncias indonésias e por dezenas de grupos de interesse.
Sob a administração do ex-presidente Suharto, a escolha da Assembléia era um jogo de cartas marcadas que apenas selava sua reeleição ano a ano.
Suharto, agora acusado de corrupção e abuso dos direitos humanos, foi forçado a deixar o poder no ano passado. Seu sucessor e protegido, presidente B.J. Habibie, assumiu o posto adotando reformas democráticas que tornaram possível a nova assembléia.
Mesmo assim, ele é considerado por muitos como um líder fraco. Manchado por seus vínculos estreitos com Suharto, ele está lutando para se manter na vida política.
A vencedora nas eleições de 7 de junho é a opositora Megawati Sukarnoputri, filha do presidente-fundador da Indonésia, Sukarno. Seu Partido Democrático para a Luta ganhou a maioria dos votos nas eleições, mas não uma maioria. Ela tem agora que reunir apoio de outros grupos políticos e provavelmente do exército, conduzido pelo chefe das forças armadas, general Wiranto, que também concorre ao cargo de presidente do país.





