Rio - Duas pessoas morreram e duas ficaram feridas em uma ocupação policial no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação foi desdobramento da operação iniciada na Favela Cidade de Deus, na zona oeste, onde o helicóptero da Polícia Militar caiu na noite de sábado (19) - e sete corpos foram encontrados no domingo (20).

Parte das favelas da Maré é dominada pelo Comando Vermelho, a mesma facção que controla o tráfico na Cidade de Deus. Os policiais estiveram na Nova Holanda e no Parque União. Armas e drogas foram apreendidas. Na página Maré Vive, no Facebook, moradores relataram abusos de policiais militares, que teriam invadido residências e quebrado móveis. Uma foto foi publicada de um PM entrando pela janela de uma das casas. "Os policiais entraram no prédio do meu avô, desrespeitaram os moradores e colocaram um fuzil na cara deles. Quebraram todas as portas do prédio e ainda mataram um cara lá dentro", escreveu um internauta, em uma publicação com foto de uma poça de sangue em uma das casas.

"Já são mais de dez horas de intensos confrontos armados, violações dos direitos humanos, mortes, casas perfuradas por tiros de grosso calibre, feridos, helicóptero, Caveirão, lares invadidos, pessoas sem ir para o trabalho, crianças sem aula, prejuízo forte para o comércio. Muita grana sendo investida nessa operação de hoje. O Estado não estava falido? Para isso eles têm dinheiro... Agora me diz, para quê? Se amanhã vai continuar a mesma m...", escreveu o administrador da página.

A violência deixou cerca de 14 mil alunos sem aulas na manhã desta segunda (21), nas regiões das Favelas Cidade de Deus e no Complexo do Maré. Na Cidade de Deus e nos bairros próximos Gardênia Azul e Anil, 14 escolas, 5 creches e 6 Espaços de Desenvolvimento Infantil permaneceram fechados - e 7.058 estudantes ficaram em casa. Na Maré, foram 13 escolas, 3 creches e 12 EDIs sem atendimento, em um total de 7.194 alunos sem aulas.

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