Notícia sobre dinheiro de Lopes no exterior preocupa FHC
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 20 (AE) - Caiu como uma bomba na comitiva presidencial, em Londres, a divulgação de que o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, mantém depositada em uma conta no exterior controlada por seu ex-sócio na Macrométrica, Sérgio Bragança, a quantia de US$ 1,6 milhão. O presidente Fernando Henrique passou o dia em contato com Brasília, preocupado com a repercussão do fato. Auxiliares ligados ao presidente, entretanto, insistiam em minimizar a gravidade da revelação, argumentando que Francisco Lopes poderia ter agido com ingenuidade neste episódio.
Vários ministros comentaram sua apreensão com o fato de a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, que apura irregularidades no sistema financeiro durante a desvalorização do real, estar fora de controle do governo. Para os ministros, a situação é grave porque coloca sob suspeição a autoridade financeira e em última instância, o Banco Central. "Se fosse, por exemplo, uma herança, não teria por que o dinheiro não estar no nome dele", comentou um ministro ligado ao presidente Fernando Henrique, ao falar da sua perplexidade com as denúncias. "Vai ser difícil ele (Chico Lopes) explicar isso", prosseguiu.
Para este ministro, "CPI sob controle não existe porque todo mundo sabe como e quando começa, mas nunca, como e quando termina". Ele acentuou ainda que os resultados da comissão poderão atingir as pessoas, mas não o governo como um todo, e menos ainda o presidente Fernando Henrique.
OFICIAL - O presidente em exercício, Marco Maciel, reuniu-se hoje por cerca de meia hora com o relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), no Palácio do Planalto. Maciel não quis revelar o tema do encontro e negou que tenha dado alguma orientação do governo sobre a sua conduta na condução dos trabalhos da CPI. Apesar da alta do dólar e da queda nas bolsas hoje, Marco Maciel não acredita que a CPI atinja a economia brasileira. "Espero que não afete nem a vida social e nem a economia do País", disse ele. "O presidente tem dito que a apuração dos fatos é algo que interessa ao governo e não há nada a recear."
O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, e do Meio Ambiente, José Sarney Filho, não acreditam que a imagem do governo possa ser afetada pela CPI. Segundo Greca, a CPI está no âmbito do Legislativo e do Judiciário. Ele lembrou que o presidente, ao condenar a invasão da casa de Francisco Lopes, falava contra a arbitrariedade da invasão de domicílio, que é o sentimento de um ex-exilado, favorável aos direitos humanos e indignado com a violação de seus direitos básicos. "Ele não teve intenção de proteger nenhuma irregularidade", disse. O ministro Sarney, por sua vez, limitou-se a comentar que, para ele, "ambiente de CPI é poluído".
O senador José Roberto Arruda afirmou que os fatos foram suficientemente graves a ponto de alterar o calendário dos depoimentos na CPI, para que seus integrantes realizem, no momento, um trabalho de verificação dos documentos apreendidos. Para ele, agora existe mais do que uma suspeita contra uma autoridade monerária do País. "Tem que investigar até o fim, custe o que custar", disse ele, ao garantir que não se deseja "alargar a banda da CPI, que ele acha que deva se limitar ao objetivo que foi criado". Arruda acrescentou ainda que o Banco Central tem que ser preservado como instituição.


