São Paulo, 5 (AE) - O processo de seleção de novos profissionais de uma indústria química de Santa Catarina provocou a maior demanda pela segunda via da nota individual do Provão já registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame. "Em uma semana foram mais de 80 pedidos", conta Tancredo Maia Filho, coordenador do Provão. Embora não tenha identificado qual o nome da empresa, Maia Filho soube que a nota foi usada em um dos critérios de seleção para as vagas.
O caso da empresa catarinense ainda não reflete o que ocorre no mercado, mas aponta para uma tendência que se consolida a cada dia. "A nota do Provão servirá como referência para que as empresas selecionem os melhores profissionais", acredita Thomas Case, fundador do Grupo Catho, de recolocação profissional. Mas, para ele, quem sairá ganhando será o aluno. "Quando o recém-formado quer mostrar que é bom, dá indicadores", afirma. "A boa nota no Provão pode ser um diferencial."
O ministro da Educação, Paulo Renato Sousa, acredita que a nota do Provão poderia ser melhor aproveitada pelas empresas. "O mercado de trabalho brasileiro não costuma pedir nem histórico escolar", diz. Para ele, o mercado precisa ser mais competitivo para que esses critérios vinculados ao desempenho do aluno na faculdade passem a ser usados na seleção de pessoal.
Em geral, as empresas têm preferência pelos profissionais que se formam nas universidades consideradas conceituadas no meio acadêmico. "Quando recebemos o pedido, a empresa já determina de quais faculdades quer o recém-formado", explica Sylvana Sabtos Rocha, gerente educacional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).
Na maioria das vezes, as escolas bem-conceituadas são aquelas que têm uma boa nota no Provão. "Mas a divulgação do ranking das melhores escolas mostrou que há mais universidades formando bons profissionais do que se imaginava", afirma Jan Wiegerinck, presidente da Organização Gelre, que controla a Central de Estágios. "É uma evolução, pois os empresários estão podendo escolher o profissional que melhor se enquadra nas exigências." Mesmo mostrando onde estão os bons profissionais, Sylvana acredita que o Provão não será um fator decisivo na contratação. "A avaliação é importante, mas servirá apenas como referência"
afirma.
Segundo ela, está havendo uma mudança nos critérios de seleção das empresas. Elas estão deixando de valorizar apenas a formação acadêmica, para também levar em conta o indivíduo. "Procuramos profissionais com habilidades pessoais como espírito de equipe e de liderança e criatividade, além de domínio de língua estrangeira, cursos de informática e vivência no exterior", explica Sylvana. Para Tancredo Maia Filho, coordenador do Provão, as empresas estão usando o Provão como um mecanismo positivo de seleção. "Se são bons, por que não usar a nota para arrumar um emprego?", pergunta.

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