O desenvolvimento das tecnologias de comunicação alterou profundamente a difusão de idéias e pensamentos. Disposto a estudar a relação entre o poder e a mídia, o pensador francês Régis Debray propõe a criação de uma disciplina específica, a mediologia, encarregada de analisar os efeitos dessa relação. Ontem ele falou sobre técnica e cultura diante de um auditório lotado na Universidade de Brasília (UnB). ‘‘A cultura é o que divide a espécie humana’’, disse Debray. ‘‘Toda atividade simbólica (cultural) está vinculada a um idioma, a um local’’, continuou, citando o exemplo das religiões: ‘‘Nenhuma delas conseguiu unir a humanidade’’. Para o pensador francês, editor da revista ‘‘Os Cadernos de Mediologia’’, o que une os seres humanos é a técnica e as tecnologias. ‘‘A máquina a vapor, os computadores e a Internet se disseminaram para todas as direções’’, observou ele. ‘‘O progresso tende a borrar as fronteiras da identidade cultural’’. O desenvolvimento técnico, porém, não vai formar uma cultura única ou ‘‘uma megaetnia planetária’’, nas palavras de Debray. Pelo contrário. As inovações técnicas e o crescimento econômico serão acompanhados pela diversificação política e cultural. ‘‘Assim como a mundialização do inglês não acabou com as demais línguas, o McDonald’s não homogeneizou os gostos culinários’’.

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