Notas
NOTAS
Polícia investiga
morte de sem-terra
O MST de Santa Catarina ameaça fazer novas invasões no oeste do Estado em protesto pela morte de um trabalhador sem terra anteontem em Clevelândia (sudoeste do Paraná). Sadi Padilha, 32, estava acampado na fazenda Dissenha, maior invasão do movimento em Santa Catarina, no município de Abelardo Luz (oeste do Estado, vizinho a Clevelândia), e foi morto com um tiro no rosto, dado à queima-roupa, após uma missa em uma vila na zona rural. José Cunha, acusado pelo crime, é funcionário da fazenda Régia, em Abelardo Luz, da qual o MST foi retirado na semana passada. Até o começo da noite de ontem, Cunha estava foragido. O MST afirma que a morte foi encomendada pelo fazendeiro Alaor Martins, dono da fazenda Régia. Para as polícias de Clevelândia e de Abelardo Luz, o crime não tem ligação com disputas fundiárias e foi consequência de um desentendimento de bar. Foi aberto inquérito em Clevelândia. O fazendeiro Alaor Martins confirmou que o acusado é seu funcionário e que o morto também foi, antes de entrar para o MST. Martins disse que Cunha, pai de seis filhos, trabalhava na fazenda no cultivo de erva-mate e pinheiro. O fazendeiro negou que tenha seguranças particulares. (AF)
Divulgado laudo sobre
assassinatos no Pará
O laudo necroscópico dos sem-terra mortos em conflito no Pará no mês passado, divulgado oficialmente ontem e realizado pelo Instituto Médico Legal de Belém, apresentou fotos dos locais onde as balas atingiram os corpos dos sem-terra e do projétil encontrado em um dos corpos. O laudo confirma que Onalício Araújo Barros, o Fusquinha , levou um tiro à queima-roupa, no chão, depois de morto. O fazendeiro Carlos Antônio da Costa, o Carlinhos, procurado por envolvimento no assassinato de dois líderes sem-terra em Parauapebas, deve se apresentar à polícia após a Semana Santa, segundo seu advogado, Américo Leal. (AF)
Brasiguaios fogem e
acampam em Naviraí
Centenas de famílias brasiguaias estão montando acampamento em Naviraí, extremo sul de Mato Grosso do Sul, a 365 quilômetros de Campo Grande. Elas conseguiram fugir do que chamam de inferno verde, as lavouras de soja do Paraguai, nos municípios da divisa com o MS. As fugas estão acontecendo em blocos para fazer frente à força armada pelos fazendeiros paraguaios, que não querem a saída dos brasileiros, alegando que são devedores e não devem deixar as lavouras sem saldar os débitos. Os brasiguaios começaram a chegar a Naviraí no domingo à tarde, em grupos de 50 famílias. Até as 15 horas de ontem eram 350 famílias. O acampamento está sendo montado às margens da BR-163, a 10 quilômetros do centro da cidade. Existem 700 famílias prontas para abandonar o Paraguai. (AE)
Fuga repete drama
de 15 anos atrás
A fuga de brasiguaios para Naviraí é uma reprise do que aconteceu há quase 15 anos, quando cerca de 6 mil famílias brasiguaias deixaram as lavouras que formaram no Paraguai e voltaram para o Brasil. Elas se instalaram em barracas na cidade de Mundo Novo, região de Naviraí, e aos poucos foram assentadas pelo governo Federal e governo do Estado, em fazendas desapropriadas no município de Ivinhema, vizinha a Naviraí. Conseguiram fundar o município de Nova Alvorada do Sul, até hoje dirigido por ex-brasiguaios. (AE)





