Notas
NOTAS
Fazendeiros acusados
farão rendição coletiva
Todos os onze fazendeiros acusados pelas mortes de dois líderes do MST do Sul do Pará pretendem se entregar juntos às polícias Civil e Federal. Os crimes ocorreram há dez dias e os fazendeiros estão com a prisão preventiva decretada pela Justiça. Os advogados e amigos dos fazendeiros estão preparando a rendição deles. Até ontem eles estavam decididos a se entregar na próxima quarta-feira em Marabá (PA). Eles temem manifestações dos sem-terra se ficarem presos em Parauapebas, município de maior tensão social na região. As informações sobre as negociações sobre a rendição coletiva foram passadas à reportagem pela família de dois fazendeiros de Parauapebas e por um advogado deles. Eles pediram para não ser identificados na reportagem. Caso se confirme a rendição coletiva, a Polícia Civil poderá ter dificuldade de identificar o autor ou autores dos disparos que mataram os dois líderes sem-terra. Isso porque o exame residuográfico, aquele que indica a presença de pólvora na mão da pessoa que atira, não poderá ser feito. A pólvora fica na mão por no máximo dez dias. Com a ajuda de um helicóptero, a Polícia Federal passou ontem a agir de forma ostensiva na busca da prisão dos fazendeiros. Quatro fazendas foram vistoriadas à procura dos foragidos. (AF)
PMs podem ter recebido
dinheiro de fazendeiros
A Polícia Civil do Pará tem indícios de que os 11 policiais militares que participaram da desocupação ilegal dos sem-terra da fazenda Goiás 2, em Parauapebas, receberam R$ 200,00 dos fazendeiros. O pagamento teria sido intermediado por um dos dois oficiais de Justiça que notificaram os sem-terra, há dez dias, da decisão judicial de reintegração de posse da propriedade. Após a desocupação, dois líderes do MST do sul do Pará, Onalício Araújo Barros, o Fusquinha, e Valentin Serra, o Doutor, foram assassinados. Em depoimento à Polícia Civil, os 11 policiais negaram ter recebido o dinheiro, mas afirmaram que foram recrutados pelo oficial de Justiça José Eduardo Ferreira do Vale e pelo proprietário da fazenda Goiás 2, Carlos Antônio da Costa, o Carlinhos. Vale negou em depoimento ter recrutado os policiais. Temos depoimentos que indicam o pagamento pelo trabalho dos PMs e sabemos da existência da caixinha para os PMs, afirmou o delegado responsável pelas investigações, Lauriston Góes. (AF)
Presidente da Contag
defende novas ocupações
O novo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, 45, defendeu ontem o aumento das ocupações de terra para acelerar a reforma agrária. Ele disse que irá votar no pré-candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Santos substituirá no cargo o tucano Francisco Urbano. Apesar de ter promovido protestos contra o governo, Urbano irá pedir o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso para disputar este ano uma vaga de deputado federal pelo PSDB do Rio Grande do Norte. A meta da nova diretoria da maior entidade de trabalhadores rurais da América Latina é assentar 2 milhões de agricultores em assentamentos de reforma agrária. Com isso, a entidade quer elevar a meta anual de assentamentos do governo para 500 mil famílias. (AF)
Exército pode reprimir
novas invasões de terras
O Exército pode abandonar o patrulhamento ostensivo que vem caracterizando a Operação Presença, em Parauapebas, no sul do Pará, com o objetivo de evitar conflitos armados entre sem-terra e fazendeiros, e passar a atuar na repressão de eventuais invasões de terras. A situação está tranquila aqui desde a nossa chegada. Mas estamos acompanhando os fatos e notificando nosso comando. Se recebermos ordens para atuar, vamos cumpri-las, disse ontem o oficial que integra as tropas acampadas em Parauapebas. Ele não revelou, porém, como seria a atuação. Fariamos estudos da situação, acrescentou. Anteontem, circularam rumores de que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estaria planejando a invasão da Fazenda Goiás 1, que pertence a Antonio Carlos Costa, o Carlinhos. Ele e acusado de ser o mandante dos assassinatos de dois líderes sem-terra, ocorridos na semana passada. A informação não foi confirmada pelo padre Orlando Galdino, que coordena os assentamentos. (AE)





