NOTAS
Igreja apóia o fim
da ‘vida artificial’
A Igreja Católica apóia o desligamento de aparelhos que mantêm artificialmente a vida de pacientes irrecuperáveis, informou ontem o arcebispo de Fortaleza, dom Cláudio Hummes, à comissão especial que prepara a reformulação do Código Penal. O desligamento, chamado de ortotanásia pelos técnicos, deixaria de ser crime, como propõe a comissão. Dom Cláudio Hummes pediu aos juristas cuidado com o texto e criticou o termo ortotanásia. ‘‘Não falei nem me pronuncio sobre ortotanásia, porque não se sabe exatamente o alcance desse termo’’, disse o religioso. ‘‘Mas a Igreja defende que não há necessidade ética do que chamamos excesso terapêutico’’, comentou, detalhando a visão da CNBB: ‘‘excesso terapêutico seria o uso de equipamentos e terapias, a altos custos, para prolongar sem esperança os sinais vitais de quem já não tem condições de sobrevivência’’.
Sapateiro recebe
coração novo
O sapateiro Benedito Carlos Porto, 51 anos, de Arapongas, foi submetido ontem a transplante cardíaco pelos médicos Kengo Baba, Roberto Takeda e Roberto Galhardo, da equipe da Santa Casa de Londrina. A cirugia começou às 17h30 e a previsão era de que terminaria por volta da meia-noite. A pedido da família, o nome do doador não foi revelado pela Central de Transplantes do Norte do Paraná. Benedito Porto estava internado há uma semana em estado grave. A córnea do mesmo doador seria transplantada na maringaense Nair Rosa, 72 anos. A cirugia estava marcada para 22 horas de ontem no Hospital Evangélico. Conforme estatísticas da Central de Transplantes, este é o 12º transplante do coração realizado em Londrina e o segundo depois da entrada em vigor da nova lei federal de doação de órgãos. (Londrina)
MST diverge com PT
sobre reforma agrária
A investigação sobre a exploração de madeira no Brasil por grupos asiáticos provocou uma crise entre o PT e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O motivo é o relatório feito pelo deputado petista Gilney Viana (PT-MT), da comissão externa da Câmara que investiga a compra de muita terra por madeireiras asiáticas. No documento, o deputado acusa a reforma agrária de ser um desastre ambiental para a Amazônia e recomenda a proibição de assentamentos em áreas de floresta nativa. O Fórum Nacional da Reforma Agrária, encabeçado pelo MST, reagiu acusando o relator de cometer ‘‘uma série de equívocos’’. O MST e as entidades ligadas ao fórum querem que Viana revise o texto e retire o capítulo da reforma agrária do relatório. (AE)
Índios alertam
sobre queimadas
Os índios macuxis, wapixanas e taurepangues, do leste de Roraima, alertaram ontem, através de carta, as autoridades federais e estaduais sobre os riscos que as áreas indígenas estão enfrentando com as queimadas. Nas reservas Raposa Serra do Sol, Surumu, Baixo Cotingo, São Marcos, Amajari, Taiano e Serra da Lua, 32 comunidades sofrem com a escassez de água, pois os rios e os igarapés secaram. Na região vivem 22 mil índios. (AE)
Nomeação de general
revolta ex-torturados
A decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de nomear o general Ricardo Agnese Fayad para o posto de subdiretor de Saúde do Exército revoltou dirigentes do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM) e ex-torturados durante o regime militar. Fayad teria sido o companheiro de plantão do psiquiatra Amilcar Lobo, também com registro cassado, no quartel da Polícia do Exército, na Tijuca, no início dos anos 70. O ato do presidente, publicado no Diário Oficial de 17 de fevereiro, chegou ontem ao conhecimento da Anistia Internacional, que deverá divulgar nota hoje criticando a promoção de Fayad. O porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral, disse ontem que o presidente FHC não tinha conhecimento dos fatos apresentados contra o general. (AE)

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