Notas

Católicos criticam TJ
A Igreja Católica reagiu ontem à argumentação do desembargador Joazil Gardes, da 2ª Turma do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que livrou os acusados de matar o pataxó Galdino Jesus dos Santos da punição por homicídio comparando-os a Jesus Cristo. ‘‘Foi impróprio’’, disse o bispo de Roraima e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Aparecido José Dias. ‘‘No caso de Cristo não se tratava de julgamento e condenação de um assassino cruel, nem de um moço leviano que tira a vida de um terceiro e diz que foi apenas uma brincadeira’’, corrigiu o religioso. Em uma nota distribuída à imprensa, o Cimi acusa o desembargador de ter agido de forma hipócrita ao usar trecho bíblico. A argumentação de Gardes também foi condenada pela promotora Maria José Miranda Pereira, autora da denúncia de homicídio triplamente qualificado contra os quatro jovens que queimaram o pataxó, em 22 de abril de 97. (AE)
Sem-terra morto no Rio
Líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) reuniram-se ontem em Barra Mansa, a 128 quilômetros do Rio, para exigir segurança e garantia de vida das autoridades estaduais e federais. Eles também querem a apuração imediata do assassinato do militante do MST Adelson Silva de Brito, de 40 anos. O corpo de Brito foi encontrado quarta-feira à noite numa estrada de acesso à fazenda do Salto, com tiros na nuca e no abdome. Os sem-terra temem uma onda de violência na região, mesmo assim não pretendem parar. A fazenda do Salto fica ao lado da fazenda Primavera e as duas estão ocupadas por 120 famílias. A mulher de Brito, Marlene Silva, esteve ontem à tarde na 90ª Delegacia de Polícia, em Barra Mansa, para prestar depoimento sobre a morte do marido. ‘‘Aqueles que se sentem donos de terras improdutivas nos dizem, frente a frente ou por meio de recados, que não vamos durar muito tempo’’, denunciou ela.(AE)

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