A nota média obtida pelos formandos em nove dos dez cursos avaliados este ano pelo Exame Nacional de Cursos, o Provão, ficou abaixo de 4 (numa escala de 0 a 10). Sinal das deficiências do sistema de ensino superior brasileiro, o teste mostrou, por exemplo, que a média atingida pelos 1.285 futuros engenheiros químicos submetidos à prova foi de 2,31, acima da média de 2,12 dos formandos de Matemática, responsáveis pelo pior resultado. Apenas os formandos de Odontologia ficaram com média entre 4 e 6 (5,87), considerada boa pelo Ministério da Educação (MEC).
A terceira edição do Provão, criado em 96 para avaliar as faculdades e universidades do País por meio do desempenho dos alunos em um teste no fim do curso, foi feita por 126,8 mil graduandos de 1.710 cursos de Administração, Direito, Jornalismo, Letras, Matemática, Medicina Veterinária, Odontologia, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica e Engenharia Química. No próximo ano, passarão a fazer o provão os alunos dos cursos de Engenharia Mecânica, Medicina e Economia.
A partir do resultado obtido pelos estudantes, o MEC atribui conceitos (A, B, C, D e E) aos cursos de cada instituição. Dos 1.710 cursos avaliados, 201 receberam o conceito A; 300, o B; 668, o C; 300, o D; e 200, o E. Ficaram sem conceito 41 cursos de Belo Horizonte, onde uma liminar concedida pela Justiça a pedido da União Nacional dos Estudantes (UNE) impediu a realização do teste em 7 de junho.
Receber o conceito A, no entanto, não significa ter média acima de 7 ou mais, como costuma ocorrer na escola. Isso porque o sistema de avaliação adotado pelo Provão permite apenas ordenar os cursos do melhor ao pior, ou seja, definir que um curso A é melhor do que um B e assim por diante. Portanto, não há critérios determinando que um resultado, a média 7, por exemplo, corresponda ao conceito A.
O que importa na definição do conceito é a média mais alta obtida por um curso: essa média passa a valer como o teto da escala, de modo que, de um modo geral, os cursos que ficarem com uma média até 12% inferior ao teto recebem o conceito A; até 30% abaixo, o conceito B; até 70%, o C; até 88%, o D; e abaixo disso, o E.
Em Administração, a média mais alta foi 6,1. Isso significa que um curso com a nota 5,5 recebeu o conceito A. A situação fica mais preocupante no caso de Engenharia Química, em que a média mais alta foi 4,6. Isso quer dizer que em todos os cursos A a média foi obrigatoriamente abaixo de 4,6. À exceção de Odontologia e de Engenharia Elétrica, cuja média mais alta foi respectivamente 7,5 e 7,1, nos demais cursos variou de 4,6 a 6,5 (Letras).
‘‘Vamos levar ainda uns dez anos para chegar a uma avaliação por critérios em que pode haver comparação’’, disse o coordenador do Provão, Jocimar Archangelo. ‘‘O primeiro passo consiste em separar os cursos melhores dos piores.’
Apesar de a avaliação ser relativa e as provas seguirem uma metodologia diferente a cada ano, é possível verificar que, em Direito, o aproveitamento médio dos estudantes vem caindo: em 96, foi de 5,62, contra 4,1 em 97 e 3,59 em 98. O mesmo ocorreu na Engenharia Química, que caiu de 2,71 no ano passado para 2,31 este ano. Em Odontologia, por outro lado, a média subiu de 4,92 em 97 para 5,87 este ano.

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