Da Redação
Tão popular quanto Mister M, embora não contasse na época (século XVI) com o apoio da Rede Globo, o médico, astrólogo e profeta francês Michel de Nostradamus (1503-1566) é responsável - ainda que indiretamente - por boa parte da confusão que se faz em torno do hipotético fim de mundo em 1999. Seus presságios mais conhecidos foram reunidos em volumes denominados de ‘‘Centúrias’’. A coletânea de previsões, todas em forma de poesia e marcadas por uma linguagem hermética, deu margens a muitas interpretações ao longo dos anos.
Obviamente não faltam justificativas para o fato de Nostradamus ter sido pouco explícito. Envolvido com magia e descendente de judeus, ele teria tentado se resguardar da possível perseguição da Igreja Católica. Lenda ou não, Nostradamus ficou famoso como vidente por ter um dia se ajoelhado e beijado as mãos de um monje obscuro, afirmando: ‘‘O Papa eu vejo!’ Muitos anos depois, o monge teria se tornado Papa.
O mago francês acabou se transformando numa espécie de consultor da elite e, talvez por estratégia de marketing, passou a usar túnicas vistosas e um chapéu pontudo, como os de bruxos.
Em uma carta ao rei Henrique II, Nostradamus diz: ‘‘E a um eclipse do Sol (11 de agosto de 1999), sucederá o mais escuro e o mais tenebroso verão, que jamais aconteceu desde a criação do mundo (...), e isto acontecerá no mês de outubro, quando uma grande translação ocorrerá com tamanha intensidade que os homens crerão ter a Terra sido projetada fora de sua órbita e precipitada em escuridões perenes’’.
Em uma de suas centúrias (X-72), ele volta ao assunto: ‘‘Mil novecentos e noventa e nove, em sete meses vem um rei do céu, ressuscitar feroz Rei de Angolmois; antes e depois Marte reinará.’ Pode ser o surgimento do ‘‘terceiro anticristo’’ (o profeta teria indicado acertadamente os outros dois: Napoleão e Hitler) e uma sequência de guerras. Quanto ao fim do mundo, convém lembrar que as previsões de Nostradamus avançam até o ano 7000 da Era Cristã.

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