Londrina - Nascido e criado em uma família presbiteriana, o engenheiro elétrico Marcos Vinicius Miranda, já na idade adulta começou a questionar os ensinamentos da igreja. ''Há muito tempo estava numa busca espiritual. Foi quando comecei a procurar uma prática que me identificasse. Inicialmente, fui a Ordem Rosa Cruz, onde me casei, inclusive. Mas há cinco anos conheci o zen budismo'', conta ele, que é praticante de meditação e coordenador do grupo Zazen, em Londrina.
Já a esposa, Angelia Miranda, é de formação católica, na qual foi batizada e fez a primeira comunhão. ''Frequentava as missas aos domingos quando mais nova, pois fazia parte da rotina da família. Nada me foi imposto, mas era o que eles conheciam e tinham para oferecer'', lembra. Na faculdade de psicologia, porém, percebeu que havia outras formas de ver o mundo e foi conhecer outras religiões, como o espiritismo. Hoje, contudo, continua na igreja católica, ainda que de maneira eventual.
Casados há 13 anos, Miranda diz que as diferenças religiosas não são empecilho, já que o zen budismo, ainda que não seja cristão e não possua dogmas, tem como um dos preceitos ''não causar sofrimento ao outro'', o que iria de encontro aos dez mandamentos. ''No início, meus pais não entendiam. Mas, hoje, meu pai, por exemplo, vê toda forma religiosa com bons olhos, desde que façamos bem ao próximo. E tento repassar isso dentro da minha casa'', resume.
Angelia também diz que nunca teve problemas na relação, e a escolha do marido o tornou uma pessoa mais tranquila e calmo. ''Foi muito bom para ele. Acredito que não religiões apenas diferentes, são complementares.'' Com uma convivência pacífica, criam a filha de 9 anos mostrando ambos os ensinamentos, sendo que ela foi batizada na igreja católica e teve 'posição de nome' na Ordem Rosa Cruz. ''Recentemente, comecei a fazer reuniões rápidas com ela para explicar sobre Buda. Mas também fazemos questão de contar a história de Jesus Cristo. Queremos que ela aprenda que poderá ser e acreditar no que quiser.'' (M.T.)

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