Nos pés, a origem e a cura dos problemas de postura
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segunda-feira, 08 de dezembro de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Nos pés estão a base do corpo, e é neles que também podem estar a origem e a cura para problemas posturais. Esse é o princípio da podoposturologia, um ramo da fisioterapia que faz reprogramação postural por meio de palmilhas.
Segundo os fisioterapeutas Roger Christian Senhorini e Denis Boquetti, de Londrina, a busca não é pela 'pisada perfeita', mas por diminuir a assimetria, que pode se refletir em joelhos e quadril, causando alterações na coluna. Eles explicam que a alteração de pisada desencadeia um processo de encurtamento de alguns músculos, que serão compensados em joelhos e quadris. Isso, por sua vez, pode resultar em dores lombares e joelhos doloridos e visivelmente desalinhados. Mas também pode acontecer o contrário - uma alteração no quadril se refletir nos pés. Um dos principais sintomas de problemas, segundo eles, é a dor lombar, que pode evoluir para outros males mais graves, como hérnia de disco.
O primeiro passo, segundo os fisioterapeutas, é corrigir o quadril, para depois pensar em alinhar o restante do corpo. Às vezes, o problema nem está no pé, apenas no quadril, mas com a palmilha é possível revertê-lo. ''Qualquer alteração de quadril pode ser tratada com outras técnicas da fisioterapia, mas com um lado mais baixo que o outro, a musculatura naquele local está acostumada e a tendência é voltar, mesmo depois de uma sessão que a recolocou no lugar. A vantagem, com a palmilha, é que a pessoa se mantém em equilíbrio até a próxima sessão'', explica Senhorini. ''Quando se associam técnicas, os resultados são melhores e mais acelerados'', afirma Boquetti.
Para identificar o tipo de pisada é feito um exame em uma plataforma com mais de três mil sensores de pressão. A análise pode ser estática, com o paciente parado, ou dinâmica, examinando o momento da pisada no equipamento. O objetivo é detectar os pontos de pressão na pisada, como eles estão distribuídos e as assimetrias, como a distância de cada arco do centro de gravidade. Isso vai resultar em uma espécie de mapa, que será usado na confecção da palmilha, feita sob medida para cada pé, conforme a necessidade de cada paciente. O material utilizado é um EVA francês de alta densidade.
Ao contrário das antigas ''botinhas'', que corrigiam em crianças a falta de um dos arcos nos pés, as palmilhas de hoje não fazem só apoiar, mas também promovem estímulo muscular, o que, com o tempo, reverte uma das principais causas de problemas - a fraqueza muscular.
A técnica é indicada para casos nos pés, como joanete, esporão de calcâneo, metatarsalgias (inflamações nos ossos de apoio), nos joelhos, como tendinites sem casa traumática, e nos quadris. ''No caso de joanete e esporão de calcâneo, o foco é frear a evolução, não curar'', ressalta Senhorini.
Para crianças, não são indicadas palmilhas até os três anos de idade, quando costuma terminar a formação dos pés. ''O que orientamos é a mudança de hábitos, que a criança brinque mais descalça, que pise na grama, na areia, para promover o desenvolvimento muscular podal sadio'', avaliam. ®MD77¯(®MDNM¯Com Agência Estado)


