Nós não vamos sair
Londrina - A reportagem da FOLHA esteve na ocupação do fundo de vale onde passa o Córrego Sem Dúvida, entre os Conjuntos Maria Cecília, Aquiles Stenghel e Jardim Primavera, na semana passada. A maioria dos barracos estava vazia. Mas entre os moradores que se faziam presentes, havia uma certeza: a disposição em resistir a qualquer ação na tentativa de tirá-los de lá. "Nós não vamos sair. Se vierem com máquinas, vamos pular na frente", prometeu o pedreiro Adilson Freitas, de 41 anos. Ele montou o barraco de lona para fugir do aluguel no Jardim Catuaí, na zona norte, onde a esposa e os dois filhos continuam morando. "Nós pagamos aluguel, mas não temos onde morar. A renda é pouca", prosseguiu.
Seu vizinho de barraco, Ademir Conrado da Silva, de 30, divide o cômodo com a esposa e uma filha. Ele disse que o programa Minha Casa, Minha Vida não o contempla. "Eles dão prioridade para quem tem renda, filhos. Tem muita gente na espera, somos sempre os últimos da fila", criticou.
A Cohab-Ld divulgou ontem o resultado do levantamento sobre o perfil dos ocupantes do fundo de vale. São 132 famílias, das quais 78 possuíam cadastro na Companhia antes da ocupação do terreno, e o registro das demais 54 ocorreu durante a pesquisa. Segundo a Cohab, 47% dos grupos familiares são inquilinos e 6%, proprietários de imóvel que esperam ter preferência futura nos processos seletivos do Programa Minha Casa, Minha Vida. A Companhia informou que "os invasores não terão quaisquer prioridades nas futuras avaliações de cadastro para empreendimentos de habitações e que seguirá impreterivelmente os critérios previstos em lei".(D.P.)





