Nos bastidores de RG "Suflé e demi rouge"
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sexta-feira, 21 de maio de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
Paris, 22 (AE) - Com a decisão de Gustavo Kuerten em não se hospedar mais no modesto hotel Mont Blanc, e mudar-se para um apartamento próximo a Roland Garros, a Trattoria Victoria, o restaurante italiano que Guga costumava jantar todas as noites em Paris, perdeu a última grande estrela do tênis. Este lugar fez parte da história de Roland Garros, reunindo alguns dos maiores nomes do tênis, como Stefan Edberg, Mats Wilander, Gabriela Sabatini, Ivan Lendl, Arantxa Sanchez, Andres Gomez, Carlos Alberto Kirmayr, nas mesas simples de comida boa do Silvano, como era chamado antigamente o lugar.
Ninguém sabe dizer quem foi o primeiro a descobrir este restaurante de farta comida italiana em Paris. O local era o ideal para os tenistas que, durante as competições, sempre precisam comer massa. Dos brasileiros, Carlos Alberto Kirmayr foi o primeiro a levar o pessoal para jantar num lugar "bom e barato".
O grupo que o seguiu era numeroso, com Júlio Góes, Alexandre Hocevar, Cássio Motta, Ivan Kley, Ney Keller, Niege Dias e muitos outros que se hospedavam no hotel Sofitel. Larri Passos apareceu nesta época. Para ter os benefícios de contar com o transporte oficial para Roland Garros procurou um hotel na região, mas de diária bem mais em conta que o Sofitel. Achou o Mont Blanc e todos os anos vinha a Paris com um juvenil, como Marcos Barbosa, o Bocão, Andrea "Dadá" Vieira, Gustavo Kuerten. O Victoria era programa para todas as noites.
Silvano, o dono do restaurante, um italiano espalhafatoso se via em apuros com tantos tenistas. "Eles são sovinas", reclamava. "Se enchem de pão com manteiga quando chegam e depois pedem um prato de massa barata". O vinho quase não servia a maioria das mesas, mas a Coca Cola era cara o suficiente para garantir lucros ao italiano.
Era curioso estar no "Silvano". Ele reclamava de todos, dizia que jamais ganhava sequer um ingresso para Roland Garros e nunca via a cor da gorjeta. Mas seu restaurante tinha a frequência mais cobiçada de Paris na época do torneio: as estrelas do tênis. Era comum estar jantando ao lado de Gabriela Sabatini e seus pais, todos juntos em mesas com jornalistas. Andres Gomez trocava idéias com os suecos, sempre em bandos liderados por Stefan Edberg e Mats Wilander. Os espanhóis logo apareceram com Emílio Sanchez e Arantxa.
Os primeiros dias de torneio eram verdadeiras festas. Parecia que havia uma só mesa. Todos conversando com todos, nos idiomas mais variados. Para os jornalistas, uma oportunidade única de ouvir boas histórias, conhecer os bastidores e saber de perto das reais dificuldades dos tenistas. E desde estes tempos, um pouco mais romântico, nasceu a tradição do dia da chegada, servida pelo garçon Marcello: "O que vai aí brasileiro, o de sempre: suflê - um bela pizza enrolada - e um demi rouge - uma meia jarra de vinho tinto. Da casa mesmo: é mais barato.


