Norte fará ato em defesa do Rio Tibagi
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sexta-feira, 17 de agosto de 2001
Maigue Gueths<BR>De Curitiba 
Os 13 mil habitantes do município de São Jerônimo da Serra (90 km de Londrina) vão presenciar, amanhã, uma das maiores mobilizações populares, realizada anualmente no Estado. Trata-se da 16 Romaria da Terra do Paraná, organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Diocese de Cornélio Procópio, que pretendem reunir 30 mil pessoas num ato em defesa do Rio Tibagi. A preocupação das entidades é com os projetos para construção de hidrelétricas no rio.
''O Rio Tibagi é um dos últimos grandes rios vivos do Paraná'', afirma o bispo auxiliar da arquidiocese de Curitiba, Dom Ladislau Biernaski, vice-presidente da CPT Nacional. Estudos feitos por cientistas das universidades estaduais de Londrina e Maringá mostram que, além de fonte de vida para as comunidades indígenas, o Tibagi possui pelo menos 108 diferentes espécies diferentes de peixes já identificados. ''Com as hidrelétricas, esta biodiversidade será comprometida'', ressalta o advogado da CPT, Darci Frigo.
Outra preocupação refere-se à área a ser alagada com a construção da hidrelétrica, já que está prevista a inundação de duas áreas indígenas das tribos guarani, caingangue e xetá, onde vivem cerca de 600 índios. Em audiência pública realizada em março, os Estudos de Impacto Ambiental (EIA/Rima) apresentados pela empresa que deve ser responsável pela construção da hidrelétrica, segundo Vandresen, não esclareceram o total da área a ser inundada nem os impactos para o meio ambiente.
Mas o tema da 16 Romaria ''Terra, Água e Etnias'' abre espaço para discussões bem mais amplas. ''Queremos chamar a atenção para a importância de preservação da água, um bem esgotável e essencial para a vida, mas também questionar os grandes projetos de produção de energia com a construção de grandes hidrelétricas, que põem o meio ambiente e as comunidades locais em risco'', explica o coordenador da CPT no Paraná, Dionísio Vandresen.
Nesse sentido, a romaria defenderá posição contrária à privatização de empresas que controlam os manaciais de águas do Brasil, entre elas a Copel. ''O apagão acabou trazendo pelo menos uma vantagem, que é o fato da população estar discutindo, hoje, o acesso à água e à energia. E estes bens têm que ficar sob controle do Estado, para garantir o acesso a toda a população. Ou alguém acha que uma empresa estrangeira vai ter interesse em fornecer energia em lugares onde não tenha lucro?'', questiona Frigo.
A defesa da água já foi tema de outras duas romarias, em 1985 e em 1990, em protesto contra as hidrelétricas de Itaipu e Caxias, respectivamente. Este ano, os romeiros também apontarão alternativas ao atual modelo energético, como a redução de perdas no sistema elétrico, a repotencialização das usinas com mais de 20 anos, construção de pequenas hidrelétricas, incentivo de uso de energia solar e do vento, entre outras.


